[10/10/05] Entrevista com o Técnico Judiciário da Justiça do Trabalho – Celsi Lando
 

”Independentemente de possuir experiência ou não na área, o futuro servidor público poderá solucionar a questão, bastando para tanto que tenha força de vontade e queira trabalhar. Desconhecer o serviço não pode ser considerado obstáculo supremo, pois, tudo é questão de tempo. O fato deve ser visto como mais um desafio a ser vencido e não se deve ter medo de enfrenta-lo.”

Concurso de Técnico Judiciário:
“Decoreba” não vale mais nada. Exige-se raciocínio

Por Ari Moro

Quando realizou seu primeiro concurso público, com vistas à obtenção de vaga no cargo de Técnico Judiciário da Justiça do Trabalho – Tribunal Regional do Trabalho da Nona Região, em Curitiba, em 1994, Celsi Lando, que na época era estudante universitário, preparou-se por período de 30 dias, tendo por base apostilas com as matérias exigidas nas provas e isto foi o suficiente para que recebesse aprovação.

No entanto, hoje, depois de 7 anos de experiência na carreira e atuando no momento como Técnico Judiciário Assistente da Diretoria da Secretaria da Décima-Primeira Vara da Justiça do Trabalho, na capital paranaense, ele diz que é necessário, por parte dos candidatos a concursos públicos objetivando ingresso nesse mesmo cargo, preparo bem mais aprofundado e obviamente por tempo superior ao que utilizou nos estudos quando fez aquele concurso. “Isto – acrescenta - em função, entre outros fatores, da concorrência maior de candidatos por vaga do que a registrada em concursos anteriores”.

A observação de Celsi Lando vem numa hora oportuna, visto que, está sendo aguardada para breve a publicação de edital referente a novo concurso público de Técnico e de Analista Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da Nona Região, o que certamente deverá atrair as atenções de muitos candidatos em busca de melhoria das suas condições de vida e de emprego estável e salário condizente.

ADAPTAÇÃO

Hoje bacharel em Administração de Empresas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná, pela qual formou-se em 1998, Celsi Lando aborda em sua fala questão não tanto incomum entre candidatos que estão se preparando para realizarem concursos públicos, que é a referente ao desconhecimento quanto ao significado, às atribuições e responsabilidades do cargo ao qual estão se candidatando. Isto porque, há candidatos que atentam apenas para a questão salarial do cargo.

Relata ele que, na época, tendo vindo da cidade paranaense de Coronel Vivida e sendo hóspede da Casa do Estudante Universitário, em Curitiba, tomou conhecimento do concurso de Técnico Judiciário do TRT da Nona Região apenas através de informações de colegas estudantes, não tendo, por conseguinte, maior conhecimento sobre o significado deste cargo. Mesmo assim decidiu realizar o concurso, pensando em obter um emprego estável.

“Mesmo depois de aprovado no concurso – diz Celsi Lando – não tinha uma idéia exata do trabalho inerente ao cargo e por outro lado não tinha experiência com o serviço burocrático de uma repartição pública. No entanto, uma vez assumido o cargo, a minha adaptação ao dia-a-dia de trabalho foi fácil, uma vez que, entre outras coisas, os procedimentos são diários e em pouco tempo eu já tinha conhecimento geral das tarefas a serem cumpridas. Além disso, embora as atividades do Técnico Judiciário sejam bastante diversificadas, essa adaptação foi sobremaneira facilitada em função do espírito de companheirismo dos colegas de trabalho, orientando e ajudando no encaminhamento das tarefas”.

DESAFIO

Agora, algo importante para conhecimento de futuros candidatos a serviços públicos é que, de acordo com Celsi Lando, o fato do interessado desconhecer pormenores sobre as atividades afetas ao cargo pretendido, não deve se constituir em obstáculo intransponível que o faça desistir do seu objetivo.
Ressalte-se que quem diz isso é uma pessoa que já passou pela experiência.

“Independentemente de possuir experiência ou não na área – fala o entrevistado – o futuro servidor público poderá solucionar a questão, bastando para tanto que tenha força de vontade e queira trabalhar. Desconhecer o serviço não pode ser considerado obstáculo supremo, pois, tudo é questão de tempo. O fato deve ser visto como mais um desafio a ser vencido e não se deve ter medo de enfrenta-lo. Isto serve, por exemplo, para aqueles que pretendem realizar o próximo concurso de Técnico Judiciário do TRT da Nona Região”.

ORIENTAÇÕES

Celsi Lando não se acomoda no emprego e tanto é assim que está se preparando para realizar o próximo concurso de Analista Judiciário do TRT da Nona Região, cargo que exige nível superior dos candidatos, ao contrário daquele de Técnico Judiciário, cuja exigência é de nível de escolaridade médio.

Procuramos explorar a sua experiência, tanto de ex-concursando quanto de trabalho, para obtermos algumas orientações destinadas aos futuros candidatos ao cargo de Técnico Judiciário daquele Tribunal. Baseado no concurso que fez, ele diz que os candidatos devem dar atenção especial às matérias de Português e de Matemática, cujas questões considerou as mais difíceis em sua época.

“O candidato tem que estar bem preparado de forma global – lembra ele – mas entendo que Português e Matemática são itens importantes dentro do contexto geral. Isto porque, hoje já não tem mais tanto valor num concurso público dessa natureza a famosa “decoreba” da matéria, mas, exige-se coisas tais como raciocínio e interpretação de texto.

“Trata-se de trabalho que exige responsabilidade e zelo, objetivando atender os direitos dos interessados. É um trabalho volumoso e dinâmico que sofre incremento na medida em que aumenta a procura da justiça por parte da massa trabalhadora”

Por outro lado, é importante também que o candidato tenha bons conhecimentos sobre Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho, não só com vistas à realização das provas, mas, levando-se em consideração ainda que são matérias sobre as quais terá que trabalhar no seu dia-a-dia, depois de assumir o cargo”.

Outro ponto enfatizado por Celsi Lando é o relativo à informática, matéria exigida nos atuais concursos públicos. Nessa questão, o candidato tem que ter pelo menos os conhecimentos básicos, mas, estará bem melhor situado se domina-la. “Além do bom preparo geral, na hora de fazer as provas o candidato precisa estar tranquilo, pois, excesso de nervosismo dificulta o raciocínio” – completa.

ATRIBUIÇÕES

Como ressaltou Celsi Lando, são as mais diversificadas as tarefas a cargo de um Técnico Judiciário da Justiça do Trabalho.

Entre elas estão aquelas relativas à confecção de documentos que impulsionam o andamento dos autos processuais e que buscam satisfazer o cumprimento da decisão judicial, além do atendimento direto às partes interessadas e auxílio ao juiz na sala de audiências. “Trata-se de trabalho – explica - que exige responsabilidade e zelo, objetivando atender os direitos dos interessados. É um trabalho volumoso e dinâmico que sofre incremento na medida em que aumenta a procura da justiça por parte da massa trabalhadora”.

Na sua carreira, o Técnico Judiciário tem seu desempenho funcional avaliado anualmente e em função disso tem aberta a possibilidade de subir de nível, iniciando no nível 1 e chegando ao topo, que é o nível 15. Na medida em que sobe de nível, recebe as compensações salariais correspondentes, podendo também ocupar cargos de chefia ou de assessoramento.

GRATIFICANTE

Celsi Lando considera-se gratificado pelo trabalho que desenvolve, pela possibilidade de crescer profissionalmente e sente-se satisfeito ao contribuir para a solução de um conflito entre partes constantes de um processo.

“Trata-se de atividade compensadora, com boas condições de trabalho, estabilidade e salário compatível considerando-se os níveis praticados no mercado privado. No entanto, o Técnico Judiciário tem que ser flexível a fim de atender a várias funções que o seu trabalho exige. Que não pensem os futuros candidatos em assumir o cargo para se acomodar. Pelo contrário, é preciso dedicação diária, assiduidade, cumprimento de 8 horas de trabalho por dia e atualização constante”.

 

(entrevista publicada no Jornal Concuso & Carreira Edição nº68)