[10/06/05] Ser Inteligente não faz passar em concurso público
 

Entrevista com Eliane Bavaresco Volpato – candidata aprovada e classificada em primeiro lugar no concurso de Analista Judiciário do TRE/Tocantins


Ser Inteligente não faz passar em Concurso Público:
O que vale é o conhecimento

Por Ari Moro

Se você leitor, está se preparando para realizar concurso público na área jurídica e pretende ingressar na carreira de Analista Judiciário, veja o que diz, em termos de orientação a futuros candidatos, a advogada Eliane Bavaresco Volpato, aluna do Curso Aprovação/Curitiba/PR e aprovada e classificada em primeiro lugar no recente concurso do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Tocantins:

“Acredito que o interessado tenha que estudar muito bem todas as matérias do programa, mas, dando preferência à Direito Administrativo e Direito Constitucional. Tem que estudar Processo Civil relativamente e não precisa se aprofundar muito em Direito Penal e Processo Penal. Por outro lado, tem que estar sempre atualizado em relação às decisões do Supremo Tribunal Federal, às reformas constitucionais e tudo de novo que surgir na área jurídica.”

Eliane acrescenta que não só para a área jurídica, mas, para todo concurso público, a pessoa tem que Ter intimidade com aquilo que está estudando. Portanto, é bom mas nem tanto, em alguns casos, a pessoa fazer um curso preparatório de curta duração. Em regra, tem que estar em contato com aquela questão já há algum tempo. A pessoa não pode pensar que vai decorar a matéria e que assim resolverá o problema. Ela tem que estar consciente de que, se for mudada uma palavra, diferente daquilo que decorou, terá que ter compreensão do texto. Então, a mera “decoreba” não resolve. Tem que ter intimidade, vivência do conteúdo da matéria, ler a respeito, ler jornais para saber o que está se passando no Congresso Nacional uma vez que é comum na área jurídica questões sobre as atividades desta Casa.

MÉTODO DE ESTUDO

Com relação ao método de estudo por parte de futuro candidato a concurso público, Eliane Bavaresco Volpato acha que ele tem que estudar um pouco a cada dia.

“No meu caso – diz ela – não funciona, por exemplo, o método de me trancar num quarto e estudar durante quatro horas. Eu frequento o curso preparatório pela manhã e depois estudo por cerca de uma a duas horas, com o intuito de memorizar a matéria. Além disso, a pessoa tem que sempre procurar resolver as suas dúvidas, seja através do professor ou do livro ou da internet. Não se pode ficar com a dúvida.”

“No meu preparo para realizar o concurso ao cargo de Analista Judiciário do TRE do Tocantins – ressalta a entrevistada – frequentei ao longo de dois meses o curso preparatório Aprovação, de Curitiba e além disso estudei em casa em torno de duas horas por dia. O curso Aprovação me ajudou muito e com certeza eu não teria conseguido o primeiro lugar nesse concurso se não fosse a ajuda do preparatório. O conteúdo das matérias lecionadas foi bem apropriado ao concurso, os professores em regra foram bons e o aproveitamento em sala de aula foi satisfatório também.”

Revela ela ainda que, após as aulas no curso, almoçava em sua casa, lia jornal e estudava das quatorze às dezesseis horas, durante cerca de oito meses.

MOTIVAÇÃO

Eliane Bavaresco Volpato lembra que a sua motivação para fazer concurso público foi a busca de melhor salário, de posição social, de segurança e a vontade de seguir carreira jurídica.

“O que me atraiu a fazer o concurso do TRE do Tocantins foi a instituição organizadora, que considero boa, que é o Cespe, da Universidade Federal de Brasília. Entendo que o Cespe elabora uma prova clara e que realmente testa os conhecimentos do candidato. Por outro lado, acho que o Estado do Tocantins é muito bom de se viver e sua capital, Palmas, é uma cidade maravilhosa em termos de segurança e de qualidade de vida.”

CONCURSO PÚBLICO

Eliane participou de diversos concursos públicos, entre eles o de professora da Prefeitura Municipal de Curitiba, em 1993, quando foi aprovada e classificou-se em primeiro lugar também.

Depois, fez concurso da Caixa Econômica Federal, no qual não obteve boa classificação; concurso do Ministério Público do Tocantins, no qual não obteve aprovação; concurso do Ministério Público da União, no qual não obteve classificação; e ainda concurso do Banco do Estado do Paraná.

“Quanto ao instituto do concurso público – ressalta ela – como meio de ingressar numa carreira da administração pública, entendo que se trata de uma excelente forma. Se a gente pudesse dizer que o Governo atual tem um mérito, este é o de prover cargos da administração publica por meio de concurso. A gente vê que o concurso público é transparente, tanto assim que passei em primeiro lugar sem qualquer tipo de ajuda ou de conhecimento de pessoas influentes. O concurso público é um meio de seleção por sistema de mérito, não pela indicação e isso é muito importante.

TRE/TOCANTINS
“O concurso do TRE de Tocantins, no dia 6 de março deste ano – prossegue Eliane - foi bom e não posso classifica-lo como fácil ou difícil. Acredito, isto sim, que tenha sido apropriado e que tenha conseguido, mediante sua prova, selecionar o perfil de candidato que o órgão precisa para exercer a sua atividade.”

Ao cargo que pretendia – Analista Judiciário – Eliane disputou 34 vagas com cerca de 2.000 candidatos. A prova – segundo ela – foi bem elaborada e o nível do concurso foi bom.

“Inteligência é um bom ingrediente mas, não é o que faz a pessoa passar ou não num concurso. Não adianta ser inteligente e não ter conhecimento, que se adquire com esforço. O que vale mesmo então é o esforço.”

É PRECISO ESFORÇO
“Acho que uma pessoa que pretende fazer um concurso público –diz Eliane – deve saber que não tem que estudar para passar, mas, até passar. Se ela entende que vai estudar para passar no presente concurso, corre o risco de se decepcionar, de ficar com a auto-estima baixa e de não persistir, o que é péssimo.”

A pessoa – de acordo com a advogada – deve manter uma estabilidade emocional. É complicado ter um desenvolvimento bom no estudo e ficar focada no seu objetivo, quando ela tem uma vida emocional muito instável, quando sai para beber na quarta-feira, na quinta-feira está de ressaca, na sexta-feira vai ao bailão, no Sábado briga com o namorado e no Domingo está chorando. A pessoa que pretende prestar concurso público tem que estudar bastante e deve procurar uma vida emocional estável e separar o que é pessoal do que é estudo, ou seja, tem que ser profissional.”

Outra indicação de Eliane é de que a pessoa deve fazer concurso público, vários deles, em qualquer esfera, pois, todos estão muito concorridos em todo o país, o nível está alto e é preciso persistência e preparo. “Inteligência é um bom ingrediente mas, não é o que faz a pessoa passar ou não num concurso. Não adianta ser inteligente e não ter conhecimento, que se adquire com esforço. O que vale mesmo então é o esforço.”

PROFISSIONAL

O concurso do TRE/Tocantins de que Eliane Bavaresco Volpato participou deverá ser homologado neste 25 de maio e ela assumirá, no começo de junho, o cargo de Analista Judiciário na cidade de Palmas.

“Pretendo desenvolver meu trabalho de forma profissional, mesmo porque preciso desempenhar bem minha função para progredir na carreira que abracei. Desenvolvendo bem o trabalho, encontramos bem estar pessoal e satisfação profissional. Meu objetivo maior é ser membro do Ministério Público ou juiz. Pretendo continuar me preparando e num prazo de três anos pensarei em novo concurso.”

ELIANE BAVARESCO VOLPATO

Eliane Bavaresco Volpato estudou em escola pública até o segundo grau, cursando o magistério e realizando concurso público de Professora da Prefeitura Municipal de Curitiba, em 1993, sendo aprovada em primeiro lugar.
Depois de cerca de 9 anos no magistério como Professora municipal, cursou Direito na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, graduando-se em 2004, isto quando já estava casada e com filho. Na sequência, estagiou no Ministério Público, na área jurídica, passando então a escritório de advocacia. Após ter um segundo filho, deixou de trabalhar e começou a se preparar para concurso na área jurídica, culminando com sua aprovação no concurso do TRE/Tocantins.

 

(entrevista publicada no Jornal Concuso & Carreira Edição nº111)