[27/06/05] Rodrigo Kravetz - Adv. da Advocacio Geral da União | Juiz Federal da Vara do Juizado Especial Cível, da Justiça Federal/Quarta Região
 
Rodrigo Kravetz

Cada um dos milhares de processos submetidos ao Juiz de Direito traz uma esperança de quem procura Justiça

Por Ari Moro

Diversos são os métodos de preparo intelectual de uma pessoa com vistas à realização de um concurso público, na busca de uma carreira profissional. Existem os métodos tradicionais como frequência a cursos preparatórios e estudo em grupo e os métodos próprios, personalizados. Seja qual for a metodologia adotada, o importante é que o resultado de sua aplicação seja positivo e isso, como se sabe, depende muito do empenho da pessoa interessada. Na verdade, não existe fórmula infalível.
No entanto, não há dúvida de que um dos métodos mais eficazes nessa oportunidade é o da vivência, a médio e longo prazos, antecipadamente, daquilo que se pretende ter no futuro como profissão.

Isso significa que a pessoa, a partir do momento em que decida qual profissão irá seguir, comece desde cedo a colher informações sobre tudo o que está relacionado com a área, via leitura ou estudo, procure se relacionar com profissionais que já estão no campo de trabalho, obtendo deles toda a experiência possível e se houver oportunidade, trabalhe mesmo que voluntariamente ou em regime de estágio num escritório, numa empresa ou coisa que o valha ligados ao setor.

Isso tudo fará com que a pessoa, paulatinamente, sem grandes sacrifícios, sem os atropelos da pressa que antecede a data da realização dos concursos e o pânico por ter que assimilar um mundo de conhecimentos num curto espaço de tempo, vá assimilando todos os ensinamentos e acumulando experiência. Quando a hora do concurso chegar, obter aprovação nele será uma mera conseqüência. Por outro lado, se a pessoa puder unir o útil ao agradável, conseguindo trabalho remunerado na área que escolheu para seu futuro profissional, será melhor ainda.

Uma das vantagens disso é que, além de preparar a pessoa para o concurso público, a vivência, na prática, de uma situação real, faz com ela sinta se efetivamente é aquela a profissão que deseja ter no futuro ou não.

O Juiz Federal da 1ª Vara do Juizado Especial Cível – Rodrigo Kravetz – da Justiça Federal – Seção Judiciária do Paraná, não estabeleceu, como tantos outros candidatos, um método de estudo específico, rígido, exaustivo, a fim de se preparar para concurso público de Juiz Federal Substituto da Justiça Federal/Quarta Região. “No entanto – revela – durante boa parte do período em que cursei Direito e mesmo depois de formado, por um ano ainda, trabalhei como Auxiliar de Juiz da Justiça Estadual paranaense. Isso ajudou-me a adquirir experiência, ao longo de quase 5 anos. Pude acompanhar o trabalho de vários juízes e familiarizar-me com diversos procedimentos que dizem respeito ao exercício da atividade. Ao mesmo tempo, ajudou a consolidar a minha decisão sobre qual carreira seguir”.

Além do trabalho que exercia, Kravetz procurou acompanhar os concursos da área, verificam o conteúdo das provas, lendo os livros que achava interessantes. “Somente depois de aprovado na primeira fase é que estabeleci esquema de estudo específico com base na programação do concurso que estava em andamento. Quando não estava trabalhando, estudava com seriedade e responsabilidade, abrindo mão do lazer em vários momentos”.

Como trabalhava na Justiça Estadual, Rodrigo Kravetz já estava familiarizado com algumas matérias e tinha proximidade com alguns temas exigidos no concurso, os quais vivenciava no seu dia-a-dia. Sua dificuldade maior foi com as matérias que diziam res-peito apenas á Justiça Federal.

“Direito Previdenciário, por exemplo – cita ele – foi uma matéria do concurso de Juiz Federal Substituto que causou-me alguma dificuldade, mesmo porque nunca havia tido contato com ela, já que essa disciplina nem fazia parte do currículo do curso de graduação”.
Kravetz justifica o que disse revelando que em 2003 cerca de 75.000 ações ingressaram na Justiça Federal em Curitiba. Destas, 25.000 disseram respeito ao Juizado Especial Federal, o qual atualmente só julga matéria previdenciária. Portanto, futuros candidatos a Juiz Federal, aprofundem seus conhecimentos sobre Direito Previdenciário.

LIVRE ESCOLHA

Rodrigo Kravetz, natural de Palmas/PR, vem de família voltada à área jurídica. Sei pai foi promotor de Justiça, sua mãe advogada e professora e sua irmã cursou Direito também.

O acompanhamento da atividade profissional dos seus pais, que serviu de espelho, despertou-lhe o interesse pela área, mas teve total liberdade de esco-lha, o que acha muito importante para uma pessoa que se encontra nessa fase da vida. “O exemplo proporcionado pelos pais – diz ele – deve ser levado em consideração, mas, a decisão final cabe á própria pessoa, de acordo com suas tendências e interesses. Um teste de orientação vocacional e o acompanhamento do trabalho de um profissional que já atue na área pode dirimir eventuais dúvidas daqueles que ainda não estão certos da carreira que pretendem seguir”.

Kravetz prestou concurso vestibular e foi aprovado em Direito no ano de l989, na UFPR, acontecendo o mesmo no vestibular do curso de Administração de Empresas, na FAE. Freqüentou os dois cursos por algum tempo, para adquirir maior volume de conhecimentos que seriam necessários na sua vida futura, acabando por optar pelo de Direito somente.

Formado em Direito em 1993, ele já estava certo de que pretendia ser juiz. “Não cheguei a atuar como advogado. Continuei trabalhando por mais um ano como auxiliar de juiz da Justiça Estadual e aprimorando meus conhecimentos com diversos juízes extremamente qualificados”.

Ele cursou a Escola da Magistratura, em 1994, já com a intenção de ser Juiz de Direito. Foi então que a Justiça Federal/Quarta Região abriu concurso público de Juiz Federal Substituto para o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e Kravetz nele ingressou, já preparado depois de anos de vivência prática na área.

Classificado entre 31 aprovados, tomou posse em 8 de maio de 1995 na cidade de Porto Alegre/RS, sede do Tribunal e iniciou sua carreira na Segunda Vara Criminal da Justiça Federal, em Curitiba/PR, onde ficou até janeiro de 1998, quando foi removido, a pedido, á Terceira Vara Federal, ainda na capital paranaense.

 

“O exemplo proporcionado pelos pais deve ser levado em consideração, mas a decisão final cabe à própria pessoa, de acordo com suas tendências e interesses. Um teste de orientação vocacional e o acompanhamento do trabalho de um profissional que já atue na área pode dirimir eventuais dúvidas daqueles que ainda não estão certos da carreira que pretendem seguir”.

Em dezembro de 1998 foi promovido a Juiz Titular e passou a atuar na Segunda Vara Criminal Fede-ral, na cidade de Foz do Iguaçu/PR, de 1999 a 2001. Posteriormente, foi novamente removido a Vara do Juizado Especial Federal, em Curitiba, onde se encontra. Ao todo, serão 9 anos de carreira profissional em maio próximo.

ATRIBUIÇÕES
Frise-se que o Juizado Especial Federal foi instalado na Justiça Federal há apenas dois anos e muito contribuiu para uma mudança na forma de atuação do Juiz Federal. Explica Rodrigo Kravetz que a partir dessa medida os processos começaram a ter trâmite mais rápido e simples, o que fez com que o próprio juiz reformulasse sua maneira de atuar.

Segundo ele, no Juizado Especial Federal os processos são menos burocratizados, sendo necessário agilidade e simplicidade nas decisões, ainda mais levando-se em consideração que o número deles é enorme. “Diariamente somos responsáveis por dezenas de despachos, sentenças e audiências. E os atos têm que ser praticados com rapidez e sem formalismos inúteis, para que as partes obtenham o quanto antes uma decisão sobre seus pedidos”.

Ressalta Kravetz que um juiz tem que ser muito responsável e sensível.

Responsável, porque deve estar sempre atento aos efeitos que uma decisão pode trazer. Na Justiça Federal, como uma das partes com as quais lida é a própria União, existem por vezes interesses que envolvem o país inteiro. Cita como exemplo o recente caso de um Juiz Federal do Estado do Mato Grosso, o qual determinou que os cidadões norte-americanos sejam fichados ao ingressarem no Brasil. Caso este de âmbito internacional.

Sensível, porque lida com seres humanos, que nele depositam sua confiança, esperando uma solução positiva. “Um processo que pareça simples aos profissionais do direito pode ter um grande significado na vida de um cidadão. Embora milhares de processos estejam permanentemente em trâmite, o juiz sempre deve considerar que em cada um deles está depositada a esperança de uma pessoa que confia na justiça”.

“O exercício da atividade de um juiz permite que a pessoa desenvolva plenamente suas potencialidades, muitas vezes solucionando questões de grande complexidade jurídica, aprimorando seus conhecimentos, o que é gratificante. Como juiz, sinto-me satisfeito e realizado quando vejo que a pessoa teve correspondida a confiança que depositou na justiça, mediante um processo rápido e uma decisão justa. Durante estes últimos dois anos, desde que passei a trabalhar nos juizados especiais, o trabalho tem sido ainda mais gra-tificante. Ao contrário do que muitas vezes ocorre na justiça ordinária, aqui um processo geralmente chega ao final em poucos meses. Com isso, é possível perceber a satisfação do interesse das partes”.

ORIENTAÇÕES

Aproveitamos a oportunidade da entrevista concedida por Rodrigo Kravetz para colher dele algumas orientações de interesse daqueles que pretendem candidatar-se ao próximo concurso de Juiz Federal da Quarta Região, cujas inscrições começam este mês.

 
“Um processo que pareça simples aos profissionais do direito pode ter um grande significado na vida de um cidadão. Embora milhares de processos estejam permanentemente em trâmite, o juiz sempre deve considerar que em cada um deles está depositada a esperança de uma pessoa que confia na justiça”.

De acordo com ele, as matérias de Direito Público merecem atenção especial dos candidatos. Não se deve priorizar o estudo de uma em detrimento de outras, mas é preciso realçar os estudos em Direito Constitucional. “Os interessados também devem dar muita atenção ao Direito Previdenciário, sobretudo porque infelizmente, ao menos no Paraná, é matéria que em regra não consta do programa dos cursos de graduação em Direito. Além disso, a cada concurso são exigidos dos candidatos maiores conhecimentos nessa área”.

Evidencia Kravetz que, antes de mais nada, o candidato deve verificar se a carreira de Juiz Federal é realmente o que deseja. O desejo tem que estar baseado na motivação, no prazer e não na obrigação ou sacrifício. Depois, cada um deve planejar seus estudos de acordo com suas características próprias.

MATÉRIA INÉDITA

Por outro lado, adianta Rodrigo Kravetz que desta vez o concurso público de Juiz Federal da Quarta Região trará no seu programa uma matéria inédita, qual seja o Direito Ambiental.

Isso significa que os candidatos terão que procurar material de estudo sobre a questão, a fim de aprimorarem seus conhecimentos e não serem surpreendidos nas provas. “Esta inovação era uma imposição dos tempos atuais. Exigir que o candidato saiba direito ambiental é necessário tanto para a difusão da educação ambiental em nosso país como para assegurar que o futuro Juiz Federal esteja capacitado para decidir questões muito importantes à preservação do meio ambiente e da vida saudável em nosso planeta”

 

(entrevista publicada no Jornal Concuso & Carreira Edição nº53)