Entrevista com Chefe de Cartório da Superintendência Regional do Dept. da PF no Paraná
Roberto Sérgio de Araujo Lemos

04/07/04
 


Ser bom em línguas e redação, exigência da carreira de escrivão da Polícia Federal



Entrevista com o chefe do Cartório da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Paraná - Roberto Sérgio de Araujo Lemos


por
Ari Moro
Roberto Sérgio de Araujo Lemos


"Dentro do quadro de servidores do Departamento de Polícia Federal - acrescenta ele - o escrivão é um policial como outro qualquer ocupante dos demais cargos integrantes das carreiras previstas pelo órgão, tais como Delegado, Agente, Papiloscopista e Perito. Portanto, ele está sujeito a executar qualquer tarefa e participar de qualquer operação, mesmo que não seja dentro da sua área de especialização profissional."


"O escrivão é a alma de uma delegacia de polícia." Assim o escrivão e chefe do Cartório da Superintendência da Polícia Federal no Paraná - Roberto Sérgio de Araujo Lemos - define o que significa, a importância do trabalho executado e a posição do cargo de Escrivão no complexo funcional de uma unidade policial.

Porém, explica Araujo Lemos que cada cargo, dentro do organograma funcional da Polícia Federal, tem a sua especialização. No caso do escrivão, ele basicamente executa as tarefas, entre outras, de lavrar o auto de prisão em flagrante, auto de apreensão de materiais, formalizando as peças que compõem um inquérito policial

"O trabalho do escrivão é tão importante dentro da delegacia - fala - que sem ele os inquéritos e todos os demais procedimentos de rotina não teriam sequência. Apesar de desenvolver atividade burocrática, o escrivão é um policial pleno e passa por curso de formação realizado na Academia Nacional de Polícia, em Brasília/DF, que é basicamente o mesmo feito por Agentes e Papiloscopistas e com alguma diferença em relação ao curso destinado a Delegado e Perito. Ressalte-se que, um ocupante de outro cargo dentro da Polícia Federal, para executar o serviço do escrivão, tem que ser nomeado via portaria, mas, o escrivão pode substituir sem outras formalidades, em ocasiões especiais, caso venha a ser solicitado, o agente."

CUIDADOS COM PORTUGUÊS

Roberto Sérgio de Araujo Lemos reune vasta experiência profissional amealhada ao longo de 26 anos de trabalho prestado à Polícia Federal em unidades policiais de cidades de diversos Estados. Portanto, é preciso atenção quanto às coisas que ele fala em relação às atividades do cargo de escrivão do órgão, pois conhece amiúde a questão.

"Para ser um bom escrivão da Polícia Federal - lembra ele - o interessado tem entre outras coisas, que integrar-se perfeitamente à família de funcionários do órgão. Tem que Ter vocação para o trabalho policial. No tocante aos seus conhecimentos intelectuais, tem que dominar a língua portuguesa, sem muito bom em redação e informática, ter espírito de iniciativa e de companheirismo, ser pessoa organizada e cultivar o gosto pela investigação."

Além disso, Araujo lemos ressalta ainda que outra qualidade inerente ao escrivão é a perspicácia, ao lado da disposição para trabalhar em qualquer situação. "Exige-se do escrivão a dedicação exclusiva. Esse servidor tem que ter disponibilidade para viajar, pois, em determinadas situações ele é solicitado a deslocar-se de um lugar para outro a fim de executar uma tarefa, às vezes trabalhando durante 24 horas seguidas em situação desconfortável."

DISCRIÇÃO

O escrivão é aquele profissional com quem, dentro de uma unidade da Polícia Federal, a pessoa que ali comparece tem o seu primeiro contato para fins de prestar depoimento referente à instalação de um inquérito policial, por exemplo. A "clientela" do escrivão é composta de pessoas de todas as classes, sobretudo quando se trata de crimes de grande repercussão, que são o alvo principal da atividade investigativa da Polícia Federal.

"O escrivão - complementa Roberto Sérgio de Araujo Lemos - é a pessoa responsável pela guarda de objetos, valores, mercadorias e outras coisas apreendidas pela Polícia Federal. Como todo policial federal está sujeito ao regime jurídico, qualquer descumprimento das normas às quais está sujeito leva o escrivão a responder processo. Outra qualidade básica que o escrivão deve ter é a discrição. Pois, ele ter que guardar sigilo a respeito daquilo que ouve das partes envolvidas num inquérito. Se alguma informação vazar, a responsabilidade sobre o fato é dele.



"Além de promover uma carreira
profissional digna
- acrescenta ele -
o concurso público ainda abre
condições no sentido do
enriquecimento cultural
e intelectual do cidadão."



   

A CARREIRA

Após ser aprovado em concurso público, classificado e ter cumprido curso na Academia nacional de Polícia, o candidato a escrivão é nomeado como integrante da categoria de Segunda Classe, toma posse no cargo e é designado a prestar serviço em alguma unidade da Polícia Federal nos Estados.

Cumpre então estágio probatório de três anos e sendo aprovado no mesmo é efetivado no cargo. Depois de 5 a 6 anos de serviço, se não tiver sofrido alguma punição, é promovido a escrivão de primeira Classe. Mais 5 a 6 anos depois, tem direito a ser promovido a escrivão de Classe Especial, que é o topo da carreira.

Nessa altura, o profissional realiza o Curso Especial de Polícia, que pode ser no local onde está prestando serviço ou naquela Academia Brasília/DF. A cada promoção, faz jus a vantagens salariais. Quando no início da carreira, após 1 ano de trabalho, pode pedir remoção de um local para outro, mas, o atendimento do pedido depende de vários fatores, entre os quais a disponibilidade de vaga e a exigência do serviço.

"O próximo concurso público da Polícia Federal, a ser efetivado em breve - assinala Roberto Sérgio de Araujo Lemos - trará novidade que é a abertura de vagas regionais nos Estados da região norte do país e de outras a nível nacional. Isto significa que, quem optar pelo concurso regional, se for aprovado será lotado no local escolhido e quem fizer o concurso de âmbito nacional, será designado para qualquer local onde haja necessidade daquele profissional."

SEGURANÇA

Na opinião de Roberto Sérgio de Araujo Lemos, o concurso público representa uma segurança na vida profissional da pessoa.

"Além de promover uma carreira profissional digna - acrescenta ele - o concurso público ainda abre condições no sentido do enriquecimento cultural e intelectual do cidadão. Hoje verificamos uma procura bem maior do serviço público por parte de candidatos, em vista, entre outras coisas, da boa remuneração e da segurança oferecidas. Somente que, é necessário um preparo cada vez mais aprimorado dos interessados, até porque a concorrência aumenta cada vez mais e as exigências são cada vez mais amplas e rigorosas."

A remuneração da carreira de escrivão - de acordo com o profissional - não deixa a pessoa rica, mas, é suficiente para que se tenha uma situação financeira estável. Isto, além da estabilidade no emprego, possibilidade de se deslocar de um local para outro a trabalho e conhecer melhor o país e o que é mais importante, chance de se desenvolver profissionalmente.

PÚBLICO FEMININO

Roberto Sérgio de Araujo lemos classifica o Departamento de Polícia Federal como instituição séria, na qual existe respeito pelo servidor, espírito de camaradagem e de união conseguido através do trabalho, da honestidade, do entusiasmo e dos níveis social, intelectual e profissional dos seus integrantes.

"É bom lugar para se trabalhar com independência, livre de ingerências externas, onde há oportunidade para todas as vocações dentro da área policial. Da mesma forma, contempla o público feminino, lembrando que, dos cerca de 30 profissionais escrivães da capital paranaense, 11 são mulheres.

ROBERTO SÉRGIO

Roberto Sérgio de Araujo Lemos é formado em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná e em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, tendo realizado ainda cursos de Língua Inglesa e de Língua Espanhola. É bom lembrar aos candidatos ao cargo que, saber falar e escrever outras línguas, sobretudo a inglesa e a espanhola, pode representar vantagem no concursos e depois no desempenho da profissão, pois, há ocasiões em que o escrivão mantém diálogo com pessoas estrangeiras.

Ele fez concurso público em 1977, na cidade de Recife/PE, de onde é natural, assumindo o cargo em Curitiba/PR, em 1978, permanecendo aqui até 1988, quando foi removido à cidade de Guaíra/PR, na qual ficou até 1992.

Posteriormente, foi removido a Maceió/AL, onde ficou até 1995, deslocando-se então à Londrina/PR. Por último foi lotado na Superintendência do Departamento de Polícia Federal em Curitiba/PR, onde está até agora, ou seja, a seis meses de requerer aposentadoria, contando contando tempo de trabalho prestado fora do órgão.

Ser chefe de cartório é ser responsável pelo recebimento, guarda e encaminhamento de inquéritos policiais à justiça e também pelos livros cartorários, entre outras atribuições da função.

"Prestes a encerrar a minha carreira - conclui - sinto-me realizado profissionalmente e satisfeito por fazer parte do quadro de funcionários da instituição."