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Não
é raro associar o termo Estado ao governo vigente. No
entanto, para uma compreensão mais profunda e não
equivocada do serviço público, é preciso
ter em mente, antes de qualquer coisa, a diferença entre
Estado e Governo. O governo se apresenta transitório,
enquanto o Estado, que tem por finalidade tutelar os interesses
da comunidade, possui a característica de perenidade.
Para o cargo de Advogado da União da Advocacia Geral
da União (AGU), que Marcus Vinicius Corrêa Bittencourt
desempenha desde 2000, não é diferente: “nossa
preocupação é com o patrimônio público,
que diz respeito a todos nós”, explica Marcus.
Formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná
(UFPR) em 1993, Marcus já foi advogado da Telepar e procurador
da UFPR. Em seguida, prestou os concursos para Procurador da
Fazenda Nacional e Advogado da União, ambos cargos da
AGU. Passou nos dois concursos, mas optou pela carreira na AGU
devido à afinidade pela matéria com a qual mais
se lida na instituição, o Direito Administrativo.
A
AGU é órgão relativamente recente. Antes
de seu surgimento, em 1.993, sua missão - a defesa jurídica
da União - era cumprida, com bastante dificuldade, pelo
Ministério Público Federal. A dificuldade em questão
surgia da necessidade do Ministério Público em
ter que cuidar de duas responsabilidades imensas: dos direitos
indisponíveis da sociedade e da defesa do patrimônio
público do Estado.
Bons
resultados
Segundo
Marcus, a missão da AGU está sendo cumprida de
maneira eficiente: “ o último levantamento realizado
pelo Departamento de Cálculos e Perícias da Advocacia-Geral
da União revelou que, no primeiro semestre deste ano,
foi possível impugnar R$ 2,9 bilhões em cálculos
de precatórios superfaturados”, entusiasma-se.
Aí transparece um dos aspectos mais interessantes do
trabalho na AGU: evitar a questão da evasão do
dinheiro público em ações indevidas de
modo a retê-lo e aplicá-lo em políticas
sociais de saúde, educação, segurança
e assim por diante. “Neste ponto eu percebo que a importância
da minha carreira não está no concurso que eu
prestei e passei ou por ser um Advogado do serviço público,
mas no interesse que eu defendo”, conta o advogado.
Um corpo técnico de apoio eficiente, um local adequado
para desempenhar a atividade e as acomodações
são alguns dos fatores que tornam, segundo Marcus, o
trabalho na AGU bastante aprazível. O fator financeiro,
sempre lembrado, também é satisfatório:
os vencimentos iniciais para um Advogado da União estão
em torno de R$ 4.000, podendo superar R$ 7.000 no final da carreira.
No entanto, Marcus ressalta que o mais interessante é
contar com uma estrutura adequada para realizar um bom trabalho.
Exemplos
Na
AGU, lida-se com todo tipo de ação. Para exemplificar
o trabalho, no entanto, Marcus fala da atuação
diária dos Advogados da União. “Elaboramos
contestações, apelações, agravos,
buscando evitar que as verbas públicas sejam desviadas
de interesses mais nobres, como saúde, educação,
segurança, entre outros.”
Outro aspecto é a defesa de políticas públicas
em casos de emergência, por exemplo na época do
apagão ou na privatização das empresas
públicas. “Nesses casos a orientação
do Estado deve ser respeitada de modo a garantir o bem estar
social futuro”, explica.
Em casos maiores - ele conta que o servidor deve estar sempre
atento a questões aparentemente sem repercussão
- o Advogado da União pode entrar com uma ação
para recuperar prejuízos causados ao erário público,
embora o mais comum seja a contestação das ações.
Cada ação exige procedimentos diferentes, mas
os Advogados da União atuam desde a primeira instância
até o Supremo Tribunal Federal, em todos os órgãos
do judiciário, acompanhando integralmente todas as matérias
de interesse da União, exceto Direito Tributário.
Recuperação
dos investimentos
O
primeiro concurso para Advogado da União foi realizado
em 1.994, um ano após a criação da AGU.
Marcus prestou o segundo e último concurso oferecido
até agora, em 1998.
Os
critérios observados – em avaliações
feitas de tempos em tempos - para a promoção no
cargo são a antiguidade e o merecimento. Dentro de cada
categoria, existem diferentes níveis para se galgar.
O concurso da AGU é nacional e os primeiros colocados
possuem preferência na escolha das cidades onde serão
lotados. Os últimos colocados, por exemplo, provavelmente
são escolhidos para as áreas de maior carência
de candidatos para o concurso. Para garantir não só
o trabalho, mas a lotação na cidade ou estado
onde o candidato deseja, não basta apenas passar: é
necessário estar entre os primeiros. A maior quantidade
de vagas está em Brasília, para atuar nos Tribunais
Superiores. Lá, os advogados trabalham em todas as instâncias.
Marcus
pode ser considerado um autodidata, pois estudou sozinho para
os concursos públicos que prestou. No entanto, o Advogado
da União recomenda um bom curso preparatório para
os recém-formados interessados em carreiras jurídicas
públicas: “os professores de preparatórios
estão sempre atualizados e num curso é mais fácil
manter uma disciplina “, conta.
Outro trunfo bastante lembrado são os livros: “não
se deve economizar na legislação e livros atualizados,
pois os examinadores pedem muitas novidades nas provas.
Além
disso, os investimentos podem ser recuperados com os primeiros
vencimentos”, incentiva. É claro que a isso deve-se
somar o fator humano, representado na inclinação
de cada um para o serviço em questão. “Muitas
vezes deve-se deixar o aspecto financeiro de lado para que cada
um preste sua contribuição cívica para
a esfera pública, pois um serviço desses significa,
antes de tudo, um ônus para quem trabalha protegendo o
interesse público”, explica Marcus. Ele dá
uma sugestão aos possíveis candidatos a Advogado
da União: “tenha uma adequada compreensão
da matéria, da forma da defesa e da estrutura da AGU,
tentando colocar-se na posição de quem defende
o interesse público. Imaginar-se no cargo que você
almeja no futuro é mais uma forma de incentivo para um
bom estudo”, conclui.