Muitos candidatos me perguntam por que os editais demoram mais
do que o previsto. Chegam a questionar a fidelidade das informações
veiculadas pelos meios de comunicação, imaginando
que as notícias são "fabricadas" apenas
para vender. Isto não é verdade. A realização
de um concurso público depende de diversas etapas, que
devem ser realizadas seqüencialmente, desde a constatação
da necessidade do concurso público até a publicação
do Edital.
A primeira etapa consiste em o Poder Executivo "convencer"
o Poder Legislativo da necessidade de realização
das contratações. Isto porque estabelece a Constituição
Federal, artigo 169: § 1º “A concessão
de qualquer vantagem ou aumento de remuneração,
a criação de cargos, empregos e funções
ou alteração de estrutura de carreiras, bem como
a admissão ou contratação de pessoal, a
qualquer título, pelos órgãos e entidades
da administração direta ou indireta, inclusive
fundações instituídas e mantidas pelo poder
público, só poderão ser feitas:
I - se houver prévia dotação orçamentária
suficiente para atender às projeções de
despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes;
II - se houver autorização específica na
lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as
empresas públicas e as sociedades de economia mista."
Ultrapassada essa fase, cabe ao Ministério do Orçamento
e Gestão publicar portaria com a autorização
para que os órgãos da administração
executem os concursos.
A partir deste ponto cada órgão deve providenciar
a contratação da entidade que irá realizar
o seu concurso (ESAF, UNB, FGV, FCC) e acertar os detalhes do
Edital.
Esta etapa consome muito tempo - que matérias vão
ser incluídas, quais serão excluídas, quais
os locais de prova, etc.
Tomando o exemplo o concurso de Auditor Fiscal da Receita Federal
de 2001. Havia a previsão de 600 vagas, mas com os cortes
efetuados pela COF (comissão do congresso incumbida de
analisar os gastos do governo), as vagas foram reduzidas para
324. A decisão interna de como repassar os cortes nas
contratações, produzirá intensa discussão
política entre as administrações regionais,
onde cada chefe irá defender a sua prioridade.
Mas
o candidato não deve ficar impressionado com a demora,
o que importa é que após autorizada a contratação,
os órgãos da administração podem
até demorar, mas não irão desperdiçar
a oportunidade. Sendo assim o candidato deve se abster desta
tramitação e concentrar-se em estar preparado
para que, quando o edital sair, ele tenha condições
de enfrentar a disputa. Se o candidato for esperar a publicação
do Edital para iniciar ou intensificar sua preparação,
estará começando sua jornada vários passos
atrás dos demais concorrentes.
Boa
sorte.
Carlos André Silva Támez é Auditor Fiscal
da Receita Federal