Entrevista com o Técnico Judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do ParanáMozar de Ramos
10/11/04


Mozar de Ramos

 
Concurso público é como estar numa fila:
a sua vez chegará




Entrevista com Mozar de Ramos,
Técnico Judiciário do Tribunal Regional do Paraná
Por Ari Moro

“Participar de concurso público é como estar numa fila. Estar na vez é apenas uma questão de tempo e de perseverança. Se a pessoa não for aprovada hoje, será aprovada amanhã. O importante é ir agregando conhecimentos, até chegar a sua vez."


“Para ser aprovado num concurso é necessário estabelecer um plano de ação, controlar o tempo, ter disciplina, investir e o mais importante de tudo, cumprir fielmente o planejado. Planejamento é a palavra chave para quem quer ser aprovado.

“Hoje, qualquer pessoa pode ingressar no serviço público através de concurso. Perante o concurso público todos os candidatos são iguais. O que faz a diferença é o nível de preparo dos interessados.”

Aos 12 anos de idade, Mozar de Ramos já iniciava sua vida profissional como atendente de posto telefônico na cidade de Pitanga/PR, onde residia. Hoje, aos 31 anos de idade, detentor de curso superior e com duas pós-graduações, servidor do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, órgão no qual ingressou mediante concurso público de Técnico Judiciário realizado em 1995, ele concorda com o fato de que, quanto antes a pessoa iniciar sua vida profissional, mais cedo ganhará experiência e melhor preparada estará para o futuro.
“Participar de concurso público – lembra ele – é como estar numa fila. Estar na vez é apenas uma questão de tempo e de perseverança. Se a pessoa não for aprovada hoje, será aprovada amanhã. O importante é ir agregando conhecimentos, até chegar a sua vez. “

O concursando – na opinião de Mozar – não pode ficar à espera da publicação de um edital, para então pensar no que fazer. “Concurso é planejamento. Quem começar a se preparar antes, terá uma chance a mais. Concurso é como cursar uma faculdade. É preciso investir, leva tempo, mas, o dia chega.”
Mozar de Ramos considera o concurso público um instituto sério, confiável, destacando que as pessoas que fazem parte das comissões organizadoras são idôneas. “O concurso público dá o mesmo direito a todos os participantes. É aprovado quem estiver melhor preparado, sendo que, no tocante à questão sorte, poderíamos dizer que ela não representa mais do que meio por cento no desempenho do candidato. O resto é preparação pura.”

A CARREIRA
Quando fez concurso público de Técnico Judiciário – nível escolar médio – do Tribunal Regional eleitoral do Paraná, em 1995, Mozar de Ramos foi aprovado e classificado em 11º lugar, disputando, com cerca de 3.000 candidatos, apenas 36 vagas.

“A carreira de Técnico Judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná – explica ele – proporciona ao servidor um leque grande de opções no tocante à escolha da área de atuação, tais como a financeira, a judiciária , a de orçamento, de informática, de recursos humanos, de atendimento ao eleitor, de administração de toda a estrutura organizacional da justiça eleitoral e ainda pode atuar junto aos cartórios eleitorais. Por outro lado, o servidor tem a possibilidade de alternar entre essas áreas também.”

Destaque-se que, ao ingressar nessa carreira, o servidor recebe a remuneração equivalente ao Padrão 1. Após três anos de estágio probatório, é alçado ao Padrão 4 e a partir deste ponto sobe um Padrão a cada ano, até atingir o Padrão 15, que é o topo. Ao longo dessa ascensão, o servidor tem o seu desempenho avaliado e terá que fazer no mínimo 20 horas de treinamento por ano, proporcionado pelo próprio TRE, na sua área de atuação. Isso significa que, o servidor, ao longo da sua carreira, progride profissional, salarial e intelectualmente. Além disso, dependendo do seu desempenho e da existência da oportunidade, a qualquer momento pode ser convidado para exercer uma função comissionada, com a compensação salarial relativa ao cargo.

“O Técnico Judiciário – acrescenta Mozar – pode solicitar ainda a mudança de sua área de atuação, desde que haja vaga no setor de seu interesse. O importante é que ele tem total possibilidade de trabalhar na área com a qual tem mais afinidade. O Técnico trabalha basicamente com processos administrativos. Para quem está iniciando a vida profissional, trata-se de uma carreira atraente, tranqüila, possibilitando o conciliamento de horários e a realização de outros planos, proporciona estabilidade e o salário inicial é condizente.”

RESPONSABILIDADE
Mozar de Ramos faz questão de ressaltar que o trabalho do Técnico Judiciário do TRE/PR é de grande responsabilidade, desde a redação de um simples ofício até o acompanhamento de um processo de eleição em municípios do interior do Estado. “Quando faz o acompanhamento de uma eleição num município, por exemplo – diz Mozar – esse servidor é responsável por cada detalhe do pleito.”

Ele cita o seu próprio exemplo, quando, no ano de 2000, foi enviado ao núcleo eleitoral da cidade de Guarapuava/PR, envolvendo outros 26 municípios e teve sob sua responsabilidade todo o processo da eleição da área, providenciando para que tudo funcionasse perfeitamente e o sucesso do pleito fosse alcançado.

Outro fato destacado por Mozar, ao dizer que o Técnico Judiciário tem que zelar muito pelo seu trabalho e dar bom atendimento aos eleitores, que é o principal cliente, é o de que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná detém o certificado de qualidade da série ISO no que diz respeito ao atendimento ao público. “Assim, o servidor tem que levar em alta consideração a questão da qualidade do serviço que executa.”
 

NÃO É SÓ O SALÁRIO
Está havendo uma enxurrada de candidatos a concursos públicos, tendo como causas principais a estabilidade no emprego e os bons salários, estes se comparados com os praticados na iniciativa privada.
No entanto, na opinião de Mozar de Ramos, o candidato a um emprego público tem que definir antecipadamente sobre o que quer na sua vida profissional e não pensar somente no dinheiro. “Para ser aprovado num concurso é necessário estabelecer um plano de ação, controlar o tempo, ter disciplina, investir” – diz ele, acrescentando: “e o mais importante de tudo, cumprir fielmente o planejado. Planejamento é a palavra chave para quem quer ser aprovado. No mais, é só aguardar na fila que a hora do sucesso chegará.”

MOZAR DE RAMOS
Mozar de Ramos é natural da cidade de Pitanga/PR e formado em administração de Empresas, em 2002, pela FAE Business School – Faculdade Católica de Administração e Economia.

Em 2003 fez pós-graduação na FAE na área de Desenvolvimento Gerencial e em 2004 na área de Controladoria. É Professor de Controladoria, neste mesmo estabelecimento de ensino superior, nos cursos de Administração e de Ciências Contábeis.

Ministra também aulas de Gerenciamento de Projetos, destinadas às Associações de bairro de Curitiba e Região Metropolitana, num trabalho em parceria entre a FAE e o Governo do Paraná. É palestrante, em diversas instituições de ensino superior, sobre temas a respeito de Ética nas Empresas Públicas e de Planejamento Estratégico.

Em 1990, ele foi aprovado e classificado em primeiro lugar no concurso público de Auxiliar de Fiscalização da Prefeitura Municipal de Pitanga, assumindo o cargo e exercendo-o até 1993. Neste mesmo ano foi aprovado e classificado em primeiro lugar no concurso público de Técnico em Telecomunicações da Empresa de Telecomunicação do Paraná – TELEPAR – região de Guarapuava/PR. Em 1994 foi aprovado e classificado em terceiro lugar no concurso público de Agente Administrativo do Banco do Estado do Paraná. Além disso, acumula experiência profissional obtida nos cargos de Auxiliar de Auditoria, Assistente de Auditoria e Auditor da empresa paranaense Trombini papel e Embalagens, nos anos de 1994/95.

Além disso, obteve destaque quando era formando em Administração pela FAE, classificando-se em primeiro lugar, entre todos os alunos da instituição, no Provão do Ministério da Educação e Cultura


Entrevista publicada na edição nº89