Policial Rodoviário tem que ter preparo e equilíbrio emocional
 

Entrevista com a chefe do Setor de
Comunicação Social da Sétima
Superintendência da Polícia Rodoviária
Federal, com jurisdição sobre o Paraná –
Inspetora Maria Alice Polo


POR ARI MORO

Detentora de larga experiência adquirida ao longo de 18 anos de serviços prestados à instituição em diferentes regiões do país, a chefe do Setor de Comunicação Social da Sétima Supe-rintendência da Polícia Rodoviária Federal, com jurisdição sobre o Paraná – Inspetora Maria Alice Polo – diz que a PRF não funciona dentro de uma hierarquia militar. “Na estrutura organizacional da PRF – acrescenta – todos os seus integrantes são policiais rodoviários federais. O que diferencia uns dos outros é a função que exercem, os cargos de confiança.”

Dentro dessa estrutura, o posto básico é ocupado pelo policial operacional, que é aquele que executa o trabalho externo, nas rodovias. Na sequência, vem o chefe de posto policial de estrada; o supervisor, que supervisiona a Delegacia da circunscrição; e, o chefe da Delegacia. Na parte interna administrativa funcionam vários setores, sendo o ponto máximo da estrutura o cargo de Superintendente da unidade regional. O policial rodoviário pode ocupar qualquer cargo, dependendo isso do seu preparo, da sua experiência e de ter, no mínimo, dois anos de serviços prestados. Recentemente foi criado e funciona em Brasília/DF o Curso de Gerenciamento, que se destina ao preparo de policiais para exercerem funções de chefia dentro da instituição. Trata-se de curso com três meses de duração.

Maria Alice Polo, que ingressou na PRF mediante concurso público, realizado em Curitiba em 1984, começou sua carreira como policial motociclista, tendo sido a primeira mulher a exercer essa função no Brasil. Posteriormente, exerceu várias funções em diferentes setores como o de Educação de Trânsito. Passou por várias superintendências regionais e, em Brasília/DF, foi assessora do Diretor Geral . “Na estrutura da PRF – destaca – o tratamento é igual para homens e mulheres. Temos aqui, na Sétima Superintendência, cinquenta mulheres prestando serviços, a maioria na função de policial e quatro ocupando cargos de chefia.”

Muitas pessoas estão se preparando para participar do anunciado concurso público da Polícia Rodoviária Federal, visando o preenchimento de 2.200 vagas em todo o país. É bom que se saiba que, após a aprovação e classificação nesse concurso, o candidato terá que realizar curso preparatório na Academia de Polícia da institui-ção, no Rio Grande do Sul, com duração de 6 meses. Neste curso, o aluno recebe ensinamentos referentes à parte operacional da função que exercer, manuseio de armas de fogo, defesa pessoal, educação física, educação de trânsito e relacionamento interpessoal, entre outros. O regime é de internato e durante esse período o aluno recebe 50 por cento do salário básico da carreira, que hoje é de R$ 2.762,80. Concluído o curso, o interessado entra imediatamente em serviço, exercendo a função de policial nas rodovias. Dependendo da classificação que obteve no concurso, poderá ser deslocado a outro Estado, de acordo com a necessidade de pessoal e, para solicitar retorno ao seu Estado de origem, terá que cumprir mínimo de dois anos de serviço. A jornada de trabalho é de 12, por folga de 24 ou de 48 horas, de acordo com a função. A aposentadoria vem aos 30 anos de trabalho, para a mulher e, 35 anos, para o homem.

Entre as exigências, para candidatar-se ao concurso público, estão as de ter 18 anos de idade, possuir o segundo grau completo e, carteira de motorista categoria B. O interessado pode ser brasileiro naturalizado.

“O policial rodoviário tem que estar bem consciente de suas responsabilidades para que possa desempenhar um bom trabalho” – lembra a Inspetora Maria Alice Polo, dizendo: “Qualquer abuso que cometa, qualquer denúncia sobre irregularidade no seu desempenho, acarreta a abertura de processo administrativo pela corregedoria da PRF, que realiza a necessária investigação sobre o caso. Se a irregularidade for comprovada, o policial sofre punição e, dependendo da gravidade da questão, pode ser demitido.”

Revela a chefe do Setor de Comunicação Social que, no ano de 2001 foram demitidos 25 policiais rodoviários federais e, em 2002, outros 26, em todo o país.

O Paraná conta hoje com cerca de 300 policiais rodoviários federais. “Ser policial rodoviário federal – fala Maria Alice Polo – significa ter uma consciência muito bem equilibrada e, condições emocionais, preparo, para tratar serenamente todos os tipos de situação, em momentos de crise, como, por exemplo, perante um marginal. Longe de cometer abuso de poder, o policial rodoviário deve se lembrar que é um servidor público e saber que entre suas atribuições estão a de servir e de proteger o cidadão. Considerando que vivemos num estado de Direito, o policial deve saber que maior arma está no domínio dos limi-tes jurídicos legais, quanto à sua atuação. Ele tem que atuar dentro do que estabelece a lei.”

Segundo Maria Alice Polo, as mulheres que se candidatam a um posto dentro da estrutura da Polícia Rodoviária Federal, perdem preciosos pontos no exame físico e, isto leva muitas a não obterem classificação nos concursos públicos. “As candidatas – fala – devem estar bem preparadas tanto intelectual quanto físicamente. A missão de policial rodoviário é muito importante. As mulheres interessadas devem estar preparadas para enfrentar as dificuldades da profissão. Por constituirem minoria dentro da estrutura de recursos humanos da instituição, devem estar preparadas para demonstrar tanta ou igual capacidade que o homem”.