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Entrevista
com o Papiloscopista Policial Federal Marcos Antonio
Mormul |
A
identificação humana na era da informática
A Papiloscopia e o Papiloscopista
O que é? O que faz? |
Entrevista
com o Papiloscopista Policial Federal
Marcos AntonioMormul
-
Ari Moro |
Recentemente,
um cidadão interessado em fazer concurso
público de ingresso na Polícia Federal,
no cargo de Papiloscopista,
disse - após obter informação, certamente
junto a alguém que era leigo no assunto
- que já sabia qual era a atribuição do
Agente de Polícia Federal, do Escrivão e
do Papiloscopista.
Segundo ele, Agente era aquele que prendia
o infrator da lei; Escrivão era aquele que
tomava o depoimento do infrator detido;
e, Papiloscopista,
era aquele que lidava com a papelada.
O fato foi constatado pelo próprio Papiloscopista
Policial Federal - Marcos Antônio Mórmul
- que presta serviços atualmente junto ao
Serviço Técnico Científico - Área de Identificação
- da Superintendência Regional do Departamento
de Polícia Federal, em Curitiba/PR,
o que lhe causou risos. Por outro lado,
fatos dessa natureza não são raros entre
aqueles que, em determinado momento da vida,
decidem realizar um concurso público buscando
melhor remuneração sa-larial
ou outro objetivo e muitas vezes ignoram
o que significa ocupar o cargo pretendido
e quais são as suas atribuições. É o caso
do cargo de Papiloscopista.
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O Papiloscopista desenvolve
trabalho complementar de grande valia na tarefa da Polícia
Federal como um todo, quando se trata de identificação,
fornecendo dados que passam a fazer parte dos inquéritos
e processos a cargo do órgão. Esse trabalho é de alta
res-ponsabilidade, pois, é
esse profissional que dá a palavra final em questões
de identificação, após analisar dados e informações
como as referentes às impressões digitais de uma pessoa.
Imaginemos, por exemplo, que haja erro numa identificação:
quantos prejuízos isso não poderá causar à pessoa vítima
do erro?
"Papiloscopista é aquele profissional que trabalha com os vestígios
humanos
ou seja, a parte que identifica o autor do crime.
É diferente do policial Perito, que trabalha com as
provas materiais do crime, a parte física."
Objetivando informar, esclarecer e orientar aqueles que
pretendem participar do próximo concurso público da Polícia
Federal, ouvimos justamente o Papiloscopista
Marcos Antônio Mórmul, o qual
diz que uma das tarefas de quem exerce a profissão é realizar
a perícia papiloscópica no local
onde o crime ocorreu (não necessariamente um crime de
morte, podendo ser, por exemplo, um simples arrombamento,
mais comum) "Papiloscopista
- diz ele - é aquele profissional que trabalha com os
vestígios humanos, ou seja, a parte que identifica o autor
do crime a partir destes elementos. É diferente do policial
Perito Criminal Fe-deral, que
trabalha com as provas materiais do crime, a parte física,
isto dentro das atribuições inerentes ao Departamento
de Polícia Federal".
Há
outro item que causa confusão entre aqueles que são
leigos no assunto, referente á denominação de Datiloscopista,
Papiloscopista, Perito Papiloscópico e Perito em Identificação Humana. A diferença
entre o Datiloscopista e o Papiloscopista
está apenas na terminologia, pois o trabalho é comum,
ressaltando-se apenas que, o primeiro termo se refere
às impressões di-gitais (somente
os dedos), enquanto que o segundo termo (mais amplo)
se relaciona com todas as áreas onde existem papilas
dérmicas e pode-se utilizar como critério de identificação,
como palma da mão (impressão palmar), pés (podoscópicas).
Datiloscopista é uma terminologia mais antiga. As duas
últimas terminologias são recentes e poderão ser empregadas
num futuro próximo, por serem mais abrangentes.
O
Papiloscopista, ao fazer a
perícia papiloscópica em local
de crime ou no laboratório, faz uso de substâncias químicas
em pó, líquido ou gás, devendo tomar cuidado no manuseio
de substâncias tóxicas, quando necessário.
"Uma das maiores satisfações de um Papiloscopista
no
seu
trabalho dia-a-dia, é quando consegue contribuir
para
o desvendamento de um caso, apontando uma
identidade,
esclarecendo a verdadeira autoria de um
crime
ou inocentando alguém que não praticou crime"
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"O
profissional - acrescenta Marcos Mórmul
- faz laudo de perícia papiloscópica referente a documentos ou fragmentos de impressões
digitais colhidas no local do crime. Realiza a identificação
Papiloscópica de pessoas detidas, de estrangeiros e dos próprios
servidores do Departamento da Polícia Federal. Fotografa
pessoas para reconhecimento quando solicitado pela autoridade
e colhe a impressão digital de quem requer o porte de
arma de fogo".
Destaque-se
que, o tradicional método de identificação de uma pessoa,
com o uso de tinta apara co-lher as suas impressões digitais, está em transição para
o método AFIS - Sistema de Identificação Dati-loscópica
Automática - que é o mais moderno do mundo, utilizado
pelo Federal Bureau of Investigation, dos EUA. Os novos aparelhos já estão instalados
na sede do Departamento de Polícia Federal em Curitiba
e deverão entrar em funcionamento em breve, após curso
de especialização dos operadores.
A
consulta, a inclusão e a emissão de folha de antecedentes
criminais sobre uma pessoa, para ins-trução de inquéritos policiais, processos judiciais e
certidões, além de consultas criminais diversas são
atribuições do Papiloscopista também. Mórmul cita
como outra tarefa importante a
inclusão de dados de folhas de antecedentes, distribuição
e decisões judi-ciais no cadastro
denominado Sistema Nacional de Informações Criminais
(SINIC).
Uma
atribuição bastante recente é a confecção de retrato
falado via computador, apesar de que o tradicional método
do retrato falado via desenho manual não foi abandonado.
"O
Papiloscopista está em constante
evolução e atualização, familiarizando-se com os novos
métodos de identificação e aprimorando seus conhecimentos
em relação a novas substâncias químicas utilizadas nessa
área. Deve conhecer bem a língua portuguesa, pois, ele
mesmo confecciona expedientes oficiais à
autoridades de outros órgãos públicos".
Entre
outras coisas, o Papiloscopista precisa entender de fotografia também. Depois
de aprovado em concurso público, realiza curso preparatório
na Academia Nacional de Polícia, em Brasília/DF,
abrangendo a arte fotográfica, uma vez que atuará nesta
área. Uma vez em serviço, ele cumpre horário normal
de expediente, trabalhando em regime exclusivo. Não
cumpre plantão, mas, fica periodicamente de sobreaviso,
fora do expediente, de acordo com escalonamento de trabalho,
podendo ser convocado a qualquer momento caso seja necessário.
Hoje
o Papiloscopista faz uso de modernos equipamentos, máquina fotográfica
digital, mesa digitalizadora, scanner, digitação Word,
Windows e Adobe. Por conseguinte, deve dominar a informática.
É
importante ressaltar que existe permanente contato entre
os Papiloscopistas do DPF
e o Instituto de Identificação/SSP/PR
e o Instituto Nacional de Identificação em Brasília,
órgão normativo e central do DPF, visando intercâmbio
de informações e técnicas.
"O Papiloscopista
está em constante evolução e atualização, familiarizando-se
com os novos métodos de identificação e aprimorando
seus conhecimentos em relação a novas
substâncias químicas utilizadas nessa área.
Deve
conhecer bem a língua portuguesa, pois, ele mesmo confecciona
expedientes oficiais à autoridades de outros órgãos públicos".
O CONCURSO
Marcos
Antônio Mórmul acha que, na sua época, o concurso de Papiloscopista Policial Federal era mais fácil que agora.
Segundo ele, a parte teórica não era a mais difícil
e sim a bateria de exames físicos, de dati-lografia,
entrevista e o psicotécnico.
O
próximo concurso deve exigir conhecimentos sobre Informática,
Português, Administração Pública,
Estatística e Conhecimentos Gerais. "Hoje - fala
ele - a parte teórica está mais difícil, porque exige
mais conhecimentos do candidato, enquanto a
parte de exames físicos e outras continuam tão exigentes
quanto antes. O candidato deve ter bons conhecimentos
sobre Informática e ser bom digitador, além de língua
portuguesa. Pelo novo concurso, se o candidato não souber
responder corretamente, não adianta "chutar".
MULHER
TEM ESPAÇO
Outra
diferença importante entre os concursos anteriores e
o próximo, é que antes exigia-se dos candidatos apenas escolaridade equivalente a
nível médio e agora será exigido nível superior.
Marcos
Antônio Mórmul lembra que já é grande o número de mulheres Papiloscopistas na Polícia Fe-deral.
O número delas chega a uma razoável porcen-tagem
do total. Mas, alerta ele quanto às mulheres que pretendem
candidatar-se, sobre a questão dos exames de condicionamento
físico. Uma candidata que não esteja bem preparada fisicamente
poderá ser aprovada nas provas escritas e reprovada
no exame físico. Portanto, esse item tem que ser levado
em grande consideração também. Mas, segundo ele, a mulher
se adapta bem ao trabalho e existe espaço para ela.
TRABALHO
BUROCRÁTICO
Ponto
ressaltado por Marcos Antônio Mórmul
é o de que quem pretende abraçar a profissão de Papiloscopista
deve gostar de trabalho burocrático, técnico-científico
e ter intimidade com Informática e digitação.
O
candidato deve praticar um detalhismo
sem exageros, com simplicidade e objetividade. Disposição
para o trabalho é outra qualidade importante, uma vez
que as atribuições do cargo são muitas e exigem maiores
conhecimentos à medida que os sistemas à disposição
e a ciência avançam.
A
carreira de Papiloscopista conta com a Segunda Classe, a Primeira Classe
e a Classe Especial. À medida que o profissional vai
sendo promovido, tem vencimentos maiores. "Uma das maiores
satisfações de um Papiloscopista
no seu trabalho dia-a-dia, é quando consegue contribuir
para o desvendamento de um caso, apontando uma identidade,
esclarecendo a verdadeira autoria de um crime ou inocentando
alguém que não praticou crime" - diz Mórmul.
A
papiloscopia é exata na classificação
de uma impressão digital, não se conhecendo duas pessoas
com impressões digitais iguais, nem mesmo entre gêmeos.
"ELE
sela as mãos de todos os homens, para que conheçam
a sua obra." JO - 37:7 Bíblia Sagrada.
QUEM
É MARCOS ANTÔNIO MÓRMUL
Marcos
Antônio Mórmul é natural de Ibiporã/PR,
exercendo a profissão de Papiloscopista
há 16 anos. Formou-se em Engenharia Agronômica em 1986
pela Universidade Federal do Paraná. Realizou cursos
de Formação Profissional na Academia Nacional de Polícia
e curriculares no Instituto Nacional de Identificação,
em Brasília/DF, participando
de congressos de âmbito nacional.
Seu
pai é Estatístico, professor de Matemática e Advogado,
o que o influenciou a seguir a carreira de engenheiro.
"Sempre fui bem em Matemática - diz ele - mas depois
de formado atuei apenas seis meses como engenheiro.
Antes de concluir a Faculdade já pensava em obter um
emprego que me desse estabilidade
profissional, tendo como espelho o fato de meu pai ser
funcionário da Universidade Estadual de Londrina.".
Entre
l986/87, ele prestou seu primeiro
concurso público, no Banco do Brasil, de Escriturário,
mas, foi reprovado, tendo dificuldades nas questões
de Con-tabilidade. Não desanimou
e tentou então concurso do Tribunal de Contas da União,
esbarrando desta vez nas partes de Contabilidade e jurídica.
"Apesar
das reprovações - fala - a experiência foi valiosa,
deixando-me mais preparado para novos concursos públicos.
Entendo que, cada concurso que se presta e não se passa,
nos vale de laboratório de experiência para um próximo
desafio. Assim, quem não passa num concurso não deve
desistir, mas, ver isso como um acúmulo de experiência,
pois, mais cedo ou mais tarde encontrará o seu lugar".
Ao
ler um jornal e tomar conhecimento da rea-lização de concurso da Polícia Federal, envolvendo os
cargos de Papiloscopista,
de Escrivão e de Agente, Mórmul seguiu em frente e optou pelo primeiro, baseado em
informações dadas por Agente Policial daquele órgão,
o que foi muito bom no sentido de não ingressar numa
carreira que não lhe agradaria. Eram oferecidas 50 vagas
de Papiloscopista, mas, a
concorrência era de cerca de 50 candidatos por vaga.
Achou
que o salário era compensador e que a profissão, envolvendo
trabalho técnico, específico e objetivo,
era adequada à sua pessoa. Desta vez foi aprovado e no final
de 1987 formou-se, em Brasília/DF,
assumindo seu cargo no dia 18 de janeiro de 1988, na cidade
de Campo Grande/MS, onde permaneceu por quase 10 anos, sendo então
removido a Curitiba. |
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