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Entrevista
com o Diretor
Diretor Geral da Escola da
Magistratura do Paraná –
Juiz e Mestre em Direito
Gilberto Ferreira
POR ARI MORO
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“Todos
nós nascemos para ser felizes. Cada um de nós
tem potencial imenso para alcançar essa felicidade. Então,
depende tão somente do esforço pessoal de cada
um para atingi-la. Sem plantar, nada se colhe”. Essa a
declaração do Diretor Geral da Escola da Magistratura
do Paraná – Juiz e Mestre em Direito Gilberto Ferreira
– ao avaliar a importância do funcionamento dessa
instituição pública de ensino superior
sem fins lucrativos, vinculada ao Tribunal de Justiça
do Paraná e administrada pela Associação
dos Magistrados do Paraná mediante convênio, com
sede em Curitiba e cuja finalidade é preparar futuros
magistrados e também magistrados, para o exercício
da magistratura.
Situando-se
entre as primeiras instituições do gênero
criadas no Brasil, em 1983, a Escola tem seu curso regular de
1 ano de duração considerado como sendo de pós-graduação
“lato sensu” e reconhecido pela Resolução
27/2001 da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior do Paraná. “Inicialmente funcionou somente
em Curitiba mas, hoje – ressalta o Diretor Geral –
conta com núcleos nas cidades de Londrina, onde configura-se
como a primeira Escola da Magistratura instalada numa cidade
do interior do país, além de Ponta Grossa, Cascavel,
Jacarezinho, Umuarama e Foz do Iguaçu, locais esses onde
é mantido regime de ensino padrão”.
Do organograma
administrativo da Escola fazem parte Diretor Geral, Diretor
Administrativo, Supervisor Pedagógico e Coordenador Geral
de Cursos, além do organismo maior que é o Conselho
Técnico, composto pelo presidente da Associação
dos Magistrados do Paraná, por representante do Tribunal
de Justiça do Paraná indicado pelo presidente
deste, pelo Diretor Cultural da Associação dos
Magistrados do Paraná e pela diretoria da própria
instituição. Por outro lado, cada núcleo
regional conta com um Diretor, sendo o de Curitiba dirigido
pelo juiz Adalberto Jorge Xisto Pereira.
Na capital
paranaense, a Escola funciona num bem localizado prédio
de três andares, na área do Centro Cívico,
pertencente ao Tribunal de Justiça e dotado de todo o
equipamento e serviços necessários ao fim a que
se destina, entre os quais três auditórios, biblioteca,
salas de aulas práticas, secretaria e salas da administração.
Possui autonomia financeira, advindo sua receita das mensalidades
pagas pelos seus alunos, além de recursos do Funrejus,
estes destinados ao custeio de bolsas de estudo e aquisição
de material. Ressalta também Gilberto Ferreira que, todos
os recursos obtidos são aplicados na própria instituição.
Do seleto corpo docente fazem parte juízes de Direito,
promotores de justiça, advogados e profissionais de outras
áreas.
CURSOS
Em Curitiba é mantido o curso de Preparação
à Magistratura/Especialização em Direito
Aplicado, com duração de 760 horas/aula ao longo
do ano, que prepara alunos para o exercício da atividade
jurisdicional e que conta com duas turmas de cerca de 220 alunos.
“Nesse curso – explica o Diretor Geral – são
prelecionadas aulas práticas, civis e cri-minais, às
segundas e quintas-feiras, nas quais turmas de no máximo
12 alunos por professor estudam casos práticos. Por outro
lado, projetamos para o mês de maio próximo curso
intensivo e compacto de Direito Civil, visando atualização
sobre a nova legislação e, para o mês de
junho, curso de atualização em Direito Penal”.
Ainda no
mês de maio – revela Gilberto Ferreira – a
Escola realizará curso intensivo de revisão destinado
a seus alunos e ex-alunos, com o objetivo de prepará-los
para a participação em concursos públicos
da magistratura. Além disso, são realizados em
média três cursos de atualização,
em diferentes locais e com a participação de 40
a 50 alunos, destinados a magistrados em exercício.
Da programação
faz parte também curso de formação básica,
com 40 dias de duração, abordando ensinamentos
básicos e necessários ao exercício da profissão,
destinado a juizes substitutos em início de carreira
na nova profissão, visando integrá-los. Já
na área de línguas, a Escola oferece, curso de
Italiano. Oferece também, em conjunto com o juizados
especiais, cursos de formação de conciliadores.
ESTÍMULO
O mais concorrido curso é destinado a bacharéis
em Direito e a ele acorrem candidatos de todo o país.
Por ano, passam pelos bancos dos núcleos da Escola da
Magistratura em todo o Estado cerca de 750 alunos os quais,
ao término do ano letivo, confeccionam uma monografia
e defendem o tema abordado perante banca examinadora, fazendo
jus a Certificado de Especialista em Direito Aplicado. Essa
monografia, por sua vez, é colocada á disposição
dos magistrados em exercício.
“O
que pretendemos – diz Gilberto Ferreira, que também
é professor de Direito Processual Civil e Direito Penal
da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
(Campus de São José dos Pinhais/PR) e autor dos
livros “Aplicação da Pena” (jurídico)
e “O Rio Nasce na Montanha e Segue para o Mar” (romance
que traz a baila discussão sobre a pena de morte) –
é preparar eticamente o futuro juiz, administrando-lhe,
via ensino sobre casos práticos, lições
que possam ser úteis no exercício da sua atividade
profissional, depois de ser aprovado em concurso público
e efetivamente vier a exercer a profissão. Procuramos
despertar no aluno o seu senso crítico, contribuindo
para sua formação pessoal e cultural, estimulando-o
para o exercício da atividade profissional ligada à
magistratura”.
Mesmo que
o aluno do curso básico da Escola não venha a
ser aprovado em concurso público da magistratura, os
ensinamentos ali adquiridos poderão lhe ser muito úteis
na profissão que escolher. “Na verdade –
finaliza o Diretor Geral da Escola da Magistratura do Paraná
– nosso curso preparatório concentra, em um ano,
todas as matérias lecionadas durante os cinco anos do
curso de graduação".