Entrevista com o Perito Criminal da Polícia Federal Flávio Segundo Wagner
26/07/04
 
Quando, num concurso público, a
experiência profissional é de grande valia



Entrevista com o Perito Criminal da
Polícia Federal - Flávio Segundo Wagner

Por Ari Moro

Flávio Segundo Wagner


"Um candidato a concurso público, no caso o de Perito Criminal Federal, deve reunir bastante experiência profissional ou, quando se tratar de um jovem recém formado, por exemplo, ter grande conhecimento sobre as matérias específicas da sua área de atuação."


O que faz um Perito Criminal da Polícia Federal? Respondendo a essa pergunta podemos dizer que, entre as muitas atribuições que são conferidas a esse profissional pode, numa determinada ocasião, estar incluída aquela de varredura eletrônica de um próprio concurso público, a fim de evitar que venham a ser cometidas fraudes por parte de candidatos.

Esse é um dos tantos itens que fazem com que a carreira de Perito Criminal seja qualificada de fascinante por Flávio Segundo Wagner, o qual, por outro lado, considera o concurso público como a ferramenta mais democrática de ingresso no serviço público, dando chance a todo cidadão interessado. "Além de ser justo e democrático - frisa ele - o concurso público, aberto à participação de toda pessoa habilitada segundo regras previamente estabelecidas, permite aos órgãos públicos suprirem suas necessidades com pessoas altamente qualificadas e sem apadrinhamento."

Formado em engenharia civil em 1984, Flávio Segundo Wagner atuou por oito anos na área, como autônomo ou prestando serviços a prefeituras municipais. Em seguida, passou a lecionar atuando como professor nas disciplinas de Materiais de Construção, Métodos e Técnicas de Execução de Obras e Construções Industrializadas, no CEFET da cidade de Pato Branco/PR, do qual foi também responsável pelo Laboratório de Materiais de Construção.

Segundo Wagner confessa que sempre gostou da área do magistério, pois, ao mesmo tempo em que desenvolvia e aprimorava podia passar seus conhecimentos profissionais aos alunos. Além disso, por ser funcionário de órgão público, tinha estabilidade no emprego. Por que então ele, em 2002, pediu exoneração do cargo para assumir o posto de Perito Criminal da Polícia Federal?

Ele mesmo explica: "A questão principal foi mesmo a dificuldade financeira por que passava naquele momento, com a greve nas instituições de ensino e corte de salário dificultando ainda mais a situação. Foi quando tive conhecimento através de uma colega que haveria concurso público na Polícia Federal. Analisando o regulamento do concurso, vi que a minha especialidade na área de engenharia se encaixava nas exigências e ainda que a diferença salarial, em relação ao cargo que ocupava na ocasião, era muito grande."


MÉRITO

Mérito é o que não falta a Flávio Segundo Wagner, no seu processo de aprovação no concurso da Polícia Federal, de âmbito nacional, realizado em 2002. Basta dizer que, somente com vistas ao cargo de Perito Criminal, inscreveram-se 5.800 candidatos, disputando apenas 8 vagas, dando média de 725 candidatos por vaga. E ele classificou-se em sexto lugar.

Mas, qual foi o fator preponderante que o levou a obter tal classificação, uma vez que ele mesmo ressalta que pelo menos os cem primeiros colocados eram profissionais de alto gabarito? Foi a tão valiosa a experiência profissional, que ele obteve ao longo do trabalho como engenheiro civil autônomo e como professor do CEFET.

"O meu preparo para o concurso público aconteceu, mesmo sem estar sabendo disso, durante a minha carreira de autônomo e de professor, oportunidade em que aprimorei meus conhecimentos em várias disciplinas. Além disso, aproveitando o fato de que estava de férias, selecionei livros na biblioteca do CEFET de Pato Branco e durante trinta dias estudei as matérias exigidas no concurso quase em tempo integral. Iniciadas as provas e sentindo-me muito à vontade na parte de conhecimentos específicos de engenharia civil, quase desisti ao saber do grande número de candidatos em relação às vagas disponíveis. No entanto, segui em frente e consegui classificar-me em décimo primeiro lugar."

Nessa altura, Flávio Segundo Wagner sentiu-se um tanto frustrado, pois, existiam apenas 8 vagas de Perito criminal no país. Mas, incentivado por amigos e pela esposa, passou a dar atenção total ao seu preparo físico, com vistas aos exames específicos nesta área, praticando corrida a pé e natação todo dia, antes de ir ao trabalho no CEFET. Foi mais esta atitude providencial que o ajudou sobremaneira a obter uma das vagas.

"O preparo físico do candidato, num concurso público dessa natureza - lembra ele - é muito importante, além do intelectual. Isto, visto que o exame de condicionamento físico é muito rigoroso. Não adianta o interessado preparar-se em cima da hora."

Efetuadas todas as provas, exames físico, médico e psicológico, Flávio Segundo Wagner classificou-se em sexto lugar, assumindo o cargo em 2002, em Brasília/DF, onde permaneceu por pouco mais de um ano, vindo posteriormente a Curitiba/PR, lotado na Superintendência Regional da Polícia Federal.



VALOR DA EXPERIÊNCIA

"Um candidato a concurso público, no caso o de Perito Criminal Federal - ressalta Flávio Segundo Wagner - deve reunir bastante experiência profissional ou, quando se tratar de um jovem recém formado, por exemplo, ter grande conhecimento sobre as matérias específicas da sua área de atuação."

Outro ponto importante destacado pelo Perito Criminal é o referente a bons conhecimentos sobre a Língua Portuguesa, bem como Informática e conhecimentos gerais. "Além de tudo isso - diz - o candidato tem que contar com a ajuda divina, tem que ter fé. Não estamos aqui por acaso, temos uma missão a cumprir". Destaca ainda, aquele que não estiver bem preparado e que pretender fazer o concurso simplesmente por fazer, pensando em "chutar" as respostas, só perderá tempo em função dos critérios de avaliação das provas. Tem que saber mesmo.

Outra orientação dada pelo recém concursado Perito Criminal é de que o candidato deve ler com muita atenção todas as instruções relativas aos procedimentos, a fim de não perder pontos por coisas banais. "O interessado - diz ele - deve saber com antecipação o local da prova, a sala, o meio de condução e o trajeto que utilizará para chegar ao ponto visado. Se a prova estiver marcada para o período da tarde, deve ingerir alimentos leves na hora do almoço. São detalhes que podem parecer insignificantes, mas, que na verdade têm importância e podem ser decisivos. Na hora da prova, o candidato deve ler com calma cada questão, não perdendo tempo com as que não lembrar na hora retomando-as depois."

 

A CARREIRA

Ressalta Flávio Segundo Wagner que, um candidato a Perito Criminal da Polícia Federal tem que estar preparado para toda eventualidade, pois, o trabalho não é só em gabinete. "O Perito Criminal está sujeito a passar muitos dias fora, em operação de campo, podendo ocorrer risco de vida, inerente a atividade policial. Como exemplo cita o trato com artefatos explosivos, que é mais uma das atribuições do perito."

Mas, lembra ele que a profissão é muito gratificante "pois não é trabalho que deixa o profissional somente trancado entre quatro paredes. Pelo contrário, sempre leva a viver novas situações, em busca da verdade com base em provas concretas, trabalhando em equipe e proporcionando atualização constante. É uma carreira fascinante, uma das melhores do serviço público federal e que leva o seu ocupante a atingir grande satisfação quando consegue emitir um laudo efetivamente objetivo."

A carreira inicia na situação de Perito Criminal de Segunda Classe. Após cinco anos, o profissional passa à categoria de Primeira Classe, chegando, após idêntico período de tempo, à Classe Especial, que é o ponto máximo. A cada avanço, o Perito recebe melhoria salarial, podendo, ao longo da carreira, ocupar função comissionada.

 

ATRIBUIÇÕES

O trabalho do Perito Criminal não passa por rotina. Independentemente da sua área de especialização, o profissional executa tarefas outras da chamada "clínica geral" da profissão, participa de operações especiais, faz exames tais como, por exemplo, em cédulas falsas, em armas, munições e materiais explosivos, documentoscópico, merceológico, constatação preliminar de droga, veículos podendo, em alguma circunstância, participar de perícia em cadáveres.

Além disso, é responsável por trabalhos burocráticos relacionados à análise de documentos de inquéritos policiais, coleta de informações e elaboração de laudos.

"O trabalho do perito é importante - ressalta Flávio Segundo Wagner - constituindo-se num dos instrumentos, peça importante, que auxiliam o Juiz de Direito no julgamento de uma questão e na busca da verdade."



"O Perito Criminal está sujeito a passar muitos dias fora, em operação de campo, podendo ocorrer risco de vida, inerente a atividade policial. O trato de artefatos explosivos, por exemplo, é uma das atribuições do perito."


   

FLÁVIO SEGUNDO WAGNER

Natural da cidade de Rio Negro/PR, Flávio Segundo Wagner formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná, em 1984.

Fez mestrado em Construção Civil na Universidade Federal de Santa Catarina e Especialização em Metodologia do Ensino Tecnológico no CEFET/PR.

É formado em Ciências, com habilitação em Matemática, pelas Faculdades Reunidas de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas de Palmas/PR e possui Curso de Formação de Perito Criminal Federal, realizado na Academia Nacional de Polícia - Brasília/DF.