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Entrevista
com Edmar Kristochik,
tenente da reserva e professor
do Curso de Preparação para
Formação de Sargento do Exército.
POR SÔNIA ZUCHETTO
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“É
uma carreira excelente, mas para
ingressar no Exército é necessário
ter
sangue verde, ou seja, amar esta atividade,
sempre vibrei com o meu trabalho” |
Exercendo
a carreira militar há 29 anos, o tenente da reserva Edmar
Luiz Kristochik se considera um apaixonado pela profissão.
Seu começo, com 18 anos, foi no Quartel de Artilharia,
no bairro do Boqueirão, em Curitiba.“É uma
carreira excelente, mas para ingressar no Exército é
necessário ter sangue verde, ou seja, amar esta atividade,
sempre vibrei com o meu trabalho”, confessa emocionado.
O gosto pela carreira fez com que o tenente também se
tornasse professor. Durante estes 29 anos, ele ministra curso
preparatório para formação de Sargento
do Exército, em Curitiba, tornando-se também conhecido
como professor Edmar. “Nossa vida dentro do Exército
é vibrante das 8:00 às 17:00 horas”. Embora
ame a vida militar, o professor Edmar não esquece os
problemas e as dificuldades que o exército vem enfrentando
nos últimos anos, especialmente com os baixos salários
e a falta de incentivo do governo federal. Hoje, um sargento,
precisa estudar mais para poder melhorar dentro do Exército,
fazendo uma faculdade e depois concurso para oficial, podendo
ser promovido a 1º tenente, ganhando um salário
em torno de R$ 3.000,00. Outro ponto importante dentro da carreira
militar é a estabilidade que ela oferece, com salários
pagos em dia, atendimento médico e outros benefícios.
A disciplina também é outro fator fundamental
para ter uma vida bem sucedida dentro do Exército. Muitos,
segundo o professor Edmar, desistem, especialmente aqueles acostumados
com as facilidades da vida civil. Mesmo cientes das exigências
para exercer a carreira militar, a maioria dos jovens que se
alistam querem servir o Exército. De acordo com o professor
Edmar, a seleção destes jovens que desejam entrar
para a vida militar deveria ser mais bem elaborada. “Muitos
voluntários são dispensados, outros quase imploram
para sair e não obtém permissão, isto é
um erro gravíssimo. Este projeto do governo para tornar
o serviço militar não obrigatório é
conseqüência de erros na seleção deste
pessoal”, comenta.
Para o professor Edmar, hoje o militar é pouco valorizado,
especialmente em termos de salário“. O homem também
é valorizado pelo que ganha atualmente, não temos
o mesmo destaque do passado. Hoje, infelizmente o Exército
não tem dinheiro. O governo brasileiro não está
conscientizado da atual conjuntura mundial. Temos que investir
na reestruturação do Exército,Marinha e
Aeronáutica”, observa.
O
ingresso na carreira militar ocorre mediante concurso público,
do qual participam milhares de jovens. As escolas de formação
militar organizam suas atividades com muita exi-gência
e disciplina: formaturas, aulas, reuniões, manobras,
exercícios físicos e inspeções.
Uma programação que começa, diariamente,
às 6:00 horas da manhã, com a “alvorada”
e termina às 22 :00 horas com o “toque de silêncio”.
A maior parte delas funciona em regime de internato. O processo
de ascensão funcional na carreira militar difere das
práticas existentes nas demais instituições.
Os postos e as graduações dos militares são
indispensáveis, não só na guerra, mas também
em tempos de paz, pois traduzem responsabilidades e a habilitação
necessária para o exercício dos cargos e das atribuições
correspondentes. Os militares na inatividade, quando não
reformados, consti-tuem a “reserva de 1ª linha das
Forças Armadas, devendo se manter prontos para eventuais
convocações. Isto significa, que mesmo na inatividade,
o militar permanece vinculado à sua profissão.
Preparação
Para Sargento do Exército
Há 29 anos, Edmar Luiz Kristochik (professor Edmar),
tenente da reserva, ministra curso preparatório para
Sargento do Exército. Atualmente, o curso funciona na
Av. Mal Floriano, nº 114, 8º andar, quase esquina
com a rua XV, no centro de Curitiba. Mesmo com grande interesse
pela carreira militar, os jovens enfrentam problemas financeiros
para fazer o curso.
“Normalmente, temos duas turmas, cada uma com 110 alunos
que freqüentam o curso. Este ano, começamos uma
turma com apenas 50 alunos. A causa são as dificuldades
financeiras da maioria dos jovens. Quando colocamos um anúncio
divulgando que o salário bruto para o concurso é
de R$ 1.400 e o nível de ensino exigido para o concurso
é de 1º grau aparecem muitos interessados, mas alguns,
infelizmente não tem condições para pagar
o curso”, explica o professor. Aliado às dificuldades
financeiras ainda existem os chamados cursinhos “frios”,
que fazem propaganda como sendo o próprio exército
elaborando o curso, situações classificadas pelo
professor Edmar como “um caso de polícia”.
Atualmente, o Exército está oferecendo 1.415 vagas
para Sargento. O concurso é destinado a candidatos do
sexo masculino, com idade entre 18 a 24 anos.