Razão
e Coragem Caracterizam o Trabalho do Policial Rodoviário
Federal
Trabalhando
em rodovias federais, o Policial Rodoviário Federal conta
com um importante fator para evitar o tédio em deu trabalho.
Ele convive diariamente com pessoas distintas que vão
desde o pacato motorista que apenas comete infrações
de trânsito, até o criminoso de alta periculosidade,
passando, é claro pelo motorista mal humorado.
Um
bom exemplo dentro da carreira é dado pelo policial José
Cassol 33 anos, desde 1999 servindo a instituição
que já admirava antes de prestar o concurso público.
“Mesmo trabalhando com um nível de stress um pouco
elevado, o policial se sente gratificado, quando, no final de
sua jornada, percebe que sua presença foi algo significativo,
que ajudou a evitar um acidente”, conta Cassol. “Melhor
ainda é quando o usuário compreende que nossa
missão não é somente autuá-lo, mas
também auxiliá-lo, seja orientando-o, socorrendo
vítimas de acidentes, ou até mesmo trocando um
pneu furado.”
Bom senso como o usuário
Por se tratar
de um cargo público, muitos interessados em ser Policial
Rodoviário ainda desconhecem que a profissão exige
um bom nível de coragem, afinal, como qualquer outra
polícia, a Rodoviária também se depara
com criminosos, e eventualmente, com troca de tiros. Por isso,
é necessário tomar decisões importantes.
“Trabalhamos em equipe, muitas vezes em dupla, e por vezes
a vida de um depende da atitude e decisão do outro”,
explica Cassol, que também aconselha o candidato a desenvolver
o lado humano, pois a Polícia Rodoviária Federal
(PRF) não é uma instituição que
utiliza a truculência para impor respeito. “Não
há lugar na sociedade para esse tipo de policial”,
opina.
A Polícia
Rodoviária Federal é hoje um Departamento do Ministério
da Justiça e conta com todos os poderes de polícia
ostensiva, não faz parte de suas atribuições
a função de polícia judiciária.
Realiza patrulhamento ostensivo nas rodovias federais, visando
a repressão ao crime, tráfico, contrabando e descaminho,
fiscalização de trânsito, socorro à
vítimas de acidentes, elaboração de boletins
de ocorrência, orientação e auxílio
aos usuários entre outras atividades.
“Você
precisa estar equilibrado, pois alguns usuários agridem
o policial verbalmente, por vezes tentam fazê-lo fisicamente,
por não entenderem o nosso papel”, ressalta o policial
Cassol. ”O melhor nesse caso, é ter um amplo e
atualizado conhecimento das leis que cercam o nosso trabalho
e se identificar com a atividade policial”.
Aperfeiçoamento
constante
A
experiência é considerada por Cassol a escola mais
completa onde o policial pode se apoiar. “Ao ingressar
na instituição, o policial realiza curso de formação,
onde aprende táticas avançadas de abordagem e
atendimento ao usuário, primeiros socorros, prática
de tiro e demais atividades imprescindíveis ao desempenho
da função, mas é o trabalho do dia a dia
que o tornará um policial completo” diz.
Outra questão
importante é que o novo policial evite o equívoco
de pensar que o serviço público não exige
reciclagem. Cursos de aperfeiçoamento de pessoal em todas
as áreas de atuação da PRF estão
inseridas na política administrativa do Departamento.
“Se
o servidor quiser uma duradoura vida profissional, precisará
ser competente e desempenhar sua atividade com carinho, cuidado
e dedicação, afinal, a vida de muitas pessoas
, inclusive do próprio policial, depende das atitude
que temos que tomar todos os dias”, orienta Cassol.
Salário
amigo
O Policial
Rodoviário Federal não pode desempenhar mal o
seu trabalho tendo como desculpa o baixo salário. Cassol
diz que hoje, a função é uma das de nível
médio mais bem pagas no serviço público
federal. Composto por um vencimento básico sobre o qual
incidem cinco gratificações, o salário
inicial é de mais de R$ 2.762,00 brutos.
O policial
pode contar com plano de saúde participativo, que no
caso de Cassol - casado e com dois filhos - não custa
mais do que R$ 190,00 para toda a família. A aposentadoria
é especial, vinte anos de carreira na PRF mais dez anos
comprovados em qualquer outra atividade profissional ou trinta
anos na PRF garantem ao servidor aposentadoria com salário
integral. No final de carreira o salário supera os R$
5.000,00.
Sistema
de habilitação é rápido demais
Se José
Cassol não fosse um policial rodoviário, mas sim
um legislador, provavelmente você não conseguiria
obter a carteira de habilitação num período
inferior a três anos. O policial considera falho o sistema
de concessão de habilitação no Brasil e
sugere: “Trânsito e cidadania deveriam ser ministrados
nos três anos do ensino médio, somente com um aproveitamento
mínimo de 80% e após conclusão do ensino
médio e visitas a vítimas de acidentes de trânsito,
o cidadão poderia freqüentar os Centros de Formação
de Condutores”, idealiza Cassol.
Outro
erro que ele aponta é a liberação de habilitação
para condutores sem o ensino médio. “Existem motoristas
que mal sabem ler e escrever, por isso jamais leram o Código
de Trânsito e suas resoluções, não
tem a mínima noção de cidadania, sequer
sabem cantar o Hino Nacional, jamais serão bons motoristas”
desabafa Cassol, segundo ele o Estado deveria dar condições
para que todos tivessem acesso às leis que regem o seu
dia a dia, porém “Cada cidadão deve fazer
a sua parte, seja no trabalho, em casa, na comunidade onde vive
e principalmente no trânsito”, conclui Cassol.