Mas, quantos profissionais podem dizer a mesma coisa? Nem todos. Muitos estão na profissão errada, por escolha própria ou por influência de terceiros, apesar de nada falarem sobre isso, simplesmente deixando transparecer tal situação no dia-a-dia do seu trabalho.
Vemos por aí que a escolha da profissão é algo de suma importância, pois poderá acompanhar uma pessoa pelo resto da sua vida. E o que dizer a res-peito da influência por parte de pais ou de terceiros? Até onde isso pode ajudar ou prejudicar?
O advogado da Advocacia Geral da União – Carison Venícios Manfio – autor da citada declaração, ingressou na carreira jurídica de uma forma um tanto diferente de tantos outros profissionais: ele fez um teste de vocação e constatou que tinha tendência para essa área. Se dependesse de qualquer influência, teria sido engenheiro, pois, seu pai era engenheiro agrônomo mas, no seu caso, o teste realmente funcionou.
“No meu caso – revela Venícios Manfio – meu pai não exerceu nenhuma influência sobre a esco-lha da minha profissão. Sobre a questão, quero di-zer que a influência externa depende muito de cada caso. Acho que sempre é bom ouvir a voz da experiência, mas um pai não deve determinar qual profissão seu filho terá que seguir apenas orientando-o sobre a escolha”.
Revela ele que o sonho de sua mãe, curiosamente, era vê-lo exercer qualquer profissão, desde que tivesse que usar terno e gravata. “No entanto – diz com satisfação – foi minha mãe que sugeriu a rea-lização de um teste de orientação vocacional, através do qual descobri meu caminho e tomei a decisão certa. De qualquer forma, acho que uma pessoa que chega na encruzilhada da tomada de decisão sobre qual profissão seguir deve ponderar a orientação dada pelos seus pais, algumas vezes pelos seus professores também, equilibrando isso com a sua própria vocação.”
POR QUE UM CONCURSO PÚBLICO?
Foram três os principais fatores que levaram Ca-rison Venícios Manfio a realizar concurso público: posição social, remuneração e estabilidade profissional.
Na busca dos seus objetivos, o primeiro concurso público que realizou foi de Procurador Jurídico da Petrobrás, tendo sido aprovado e classificado, mas, não assumiu o cargo porque ainda não tinha registro na Ordem dos Advogados do Brasil: cursava ainda o quarto ano do curso de Direito.
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Em seguida, fez concurso público de procurador Jurídico da Companhia de Habitação do Paraná, passou e não pode assumir também pelo mesmo motivo. Apesar disso, a experiência obtida nestes concursos foi muito valiosa para ele, que recebeu aprovação em outros dois, de Advogado da Telecomunicações do Paraná – TELEPAR – e da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO. Também não assumiu o cargo, embora já tivesse registro profissional quando fez o concurso da última empresa. |
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“Foi minha mãe que sugeriu a realização de um teste de orientação vocacional, através do qual descobri meu caminho e tomei a
decisão certa. De qualquer forma, acho que uma pessoa que chega
na encruzilhada da tomada de decisão sobre qual profissão seguir
deve ponderar a orientação dada pelos seus pais, algumas vezes
pelos seus professores, equilibrando com a sua própria vocação”.. |
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Depois de formado em Direito, exerceu a advocacia ao longo de dois anos e meio, com escritório particular, ao mesmo tempo que exercia a função de Assessor Jurídico Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba.
Foi então em 1999 que Carison Venícios Manfio realizou o concurso público de Advogado da Advocacia Geral da União – AGU, disputando com 21.000 candidatos apenas 400 vagas em todo o país. Tomou posse no cargo em 29 de outubro de 2001, em Brasília/DF, tendo sido lotado na Consultoria Geral da União, órgão pertencente à AGU, na própria capital federal.
“Os concursos públicos de Advogado Geral da União – fala Venícios Manfio – são dos mais difíceis da área federal, em vista da grande concorrência de candidatos, das quatro etapas de provas dificílimas elaboradas pela ESAF e da exigência de profundos conhecimentos sobre as matérias programadas. A alta concorrência requer dos candidatos elevado índice de acerto das respostas para almejar uma boa classificação”.
A fim de contornar todas essas dificuldades ele não exagera ao ressaltar que, para obter aprovação, preparou-se ao longo de dois anos e meio. “Frequen-tei vários cursinhos preparatórios durante a noite, uma vez que trabalhava de dia. Após as aulas, estudava de 3 a 4 horas em casa, sozinho e raramente dormia antes das quatro horas da manhã. Estabeleci método de estudo, o que acho muito importante nessas ocasiões, o qual exercitava durante a madrugada, levando em conta que, neste período estava livre de interrupções e tinha mais tranquilidade para concentrar-me no que fazia.” Ressalte-se que, Venícios Manfio não abriu mão total do seu lazer, para o que reservava os sábados e domingos.
NOBRE TAREFA
Carison Venícios Manfio faz questão de ressaltar que a profissão de Advogado da AGU envolve a nobre tarefa de defender o patrimônio público fe- deral, o que muito lhe honra.
São muitas as atribuições dessa profissão, destacando-se a defesa judicial e extra judicial da União tanto nos litígios quanto na assessoria jurídica em Mi-nistérios e demais órgãos públicos federais, no que tange a contratos administrativos, editais de licitação, edição e elaboração normativa, composição de forças-tarefa, bem como a representação judicial da União nos processos perante a Justiça Federal ou nas causas em que ela figure tanto no polo ativo quanto passivo das demandas judiciais.
Não há dúvida de que se trata de profissão de grande responsabilidade e que traz satisfação ao seu ocupante.
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“O candidato deve ter confiança em si mesmo. No momento de fazer a prova, deve lembrar-se que estudou e que está melhor preparado que os outros, sejam estes quantos forem. Isso proporciona a
auto-confiança necessária”.
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“Na AGU – diz ele – o advogado pode não só desenvolver toda a sua potencialidade profissio-nal como também aprimora-la através de cursos, especializações e outros meios proporcionados pela instituição.”
“A própria lei – acrescenta – já deu ao cargo a denominação de Advogado da União, a fim de que seu ocupante não se esqueça de que ele é de fato um advogado com “A” maiúsculo, responsável por todas as causas perante o juramento que prestou, a Ordem dos Advogados do Brasil, a sua própria ética profissional e perante o ente público federal que defende. Por outro lado, deve estar ciente do “Munus Público” que significa a sua profissão. Ele não tem cobrança de seus atos por parte de um cliente particular, mas tem a cobrança mais ampla da sociedade como um todo.”
Nas palavras de Venícios Manfio, a carreira é muito gratificante e proporciona bom futuro, reunindo profissionais em três categorias sub-divididas em padrões. A categoria inicial conta com sete padrões, a intermediária tem três padrões, vindo então a categoria principal, havendo diferença salarial entre elas. Por se tratar de uma carreira muito próxima ao Poder Exe-cutivo Federal, um Advogado da União tem possibili-dade de chegar a Ministro do Supremo Tribunal Fede-ral, como é o caso do Ministro Gilmar Ferreira Mendes.
ORIENTAÇÕES
Não perdemos a oportunidade de colher junto a Carison Venícios Manfio, aprovado em tantos concursos públicos, algumas orientações destinadas a futu-ros candidatos que queiram seguir o mesmo caminho profissional que ele.
“Minha principal orientação a esses candidatos – diz ele – é de que sejam humildes. Devem estar cientes de que a simples conclusão do curso de graduação não é suficiente para obter aprovação num concurso público. É necessário, depois de concluído o curso superior, que o candidato aprofunde seus estudos. Não devemos nos esquecer que o número de vagas ofertadas nos concursos públicos é muito inferior ao número de bacharéis que anualmente adentram o mercado de trabalho.”
Entende ele que um candidato nunca deve desistir. “Há dois tipos de candidatos: aquele que passa no concurso e aquele que desiste. O que desiste não passa e o que não desiste passa. O candidato deve ser honesto consigo mesmo, estabelecer método de estudo e segui-lo à risca, não se importando em mostrar às demais pessoas que está estudando e sim tendo ciência de que seu estudo está rendendo.”
Complementando esta última afirmação, Venícios Manfio lembra que, quando estudava para o concurso da AGU, dormia tarde e prolongava um pouco pela manhã suas horas de sono, parentes e amigos seus comentavam que ele dormia demais e não estava se empenhando nos estudos. Mas, ele não se importava com isso, pois, sabia o sacrifício que estava fazendo e achava que não precisava mostrar isso a ninguém. Depois de aprovado, com destaque, seu empenho foi reconhecido por aquelas mesmas pessoas.
“O candidato deve ter confiança em si mesmo. No momento de fazer a prova, deve lembrar-se que estudou e que está melhor preparado que os outros, sejam estes quantos forem. Isso proporciona a auto-confiança necessária” – completa.
CARISON VENÍCIOS MANFIO
Natural da cidade de Jacarézinho/PR, Carison Venícios Manfio veio a Curitiba há 13 anos para fazer concurso vestibular de Direito e passou em três deles: Universidade Federal do Paraná, Pontifícia Universidade Católica e Faculdade de Direito de Curitiba.
Optou pelo curso da Federal, em cujo vestibular obteve o segundo lugar, especializando-se em Direito Público. Quando cursava o quarto ano, foi aprovado nos concursos públicos de Advogado da Petrobras e da Companhia Paranaense de Habitação. Além de Assessor Jurídico parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba, foi membro da Sub-Comissão de Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil – Sub-Seção de Curitiba e Região Metropolitana e Defensor Público Dativo da Justiça Federal no Paraná. Fez Mestrado em Direito e tem artigos sobre Direito Cons-titucional publicados em periódicos brasileiros.
Assumiu seu cargo no Departamento de Atos Normativos da Advocacia Geral da União, em Brasília/DF, dando assessoria jurídica à Casa Civil da Presidência da República, ali permanecendo por um ano e meio.
Posteriormente integrou Forças-Tarefa, entre elas a encarregada de examinar alguns editais de licitação do Ministério dos Transportes. Foi então designado para trabalhar na Procuradoria Regional da União, em São Paulo/SP, na qual se encontra.
Frise-se ainda que, Carison Venícios Manfio conta com apenas dois anos e meio de carreira e que sua determinação de ser Advogado da União era tão forte que ele chegou a abrir mão de um concurso público de Juiz de Direito.