[19/10/05] Entrevista com o professor Anderson Pereira de Souza, formado em Ciências Contábeis
 
“Não dá para ser simplesmente um profissional que apura impostos e emite guias de recolhimento de tributos. Atualmente o profissional precisa ter visão ampla de mercado, de estrutura principalmente no âmbito nacional, pois, deve primeiro ver e entender o que acontece em nosso país para depois entrar no campo internacional”.


O Contador é peça importante na sociedade

Por: Ari Moro

“Onde houver patrimônio, riqueza, haverá contabilidade”. Com esta simples frase, o professor Anderson Pereira de Souza, formado em Ciências Contábeis, expressa sua opinião sobre a importância, a necessidade que toda pessoa tem no tocante a conhecimentos, mesmo que sejam básicos, sobre a matéria contabilidade, de grande utilidade no seu dia-a-dia. Não há quem não lide com dinheiro, de uma forma ou de outra. Portanto, onde existem valores, cabe a contabilidade.

Por conseguinte, a contabilidade entra também e em algumas áreas de forma mais contundente, na vida daqueles que estão se preparando para realizar concurso público. Com relação a este ponto, o professor Anderson diz que “seria muita pretensão dizer que o curso de contabilidade deveria ser básico para toda profissão, até porque nem toda pessoa quer se tornar um profissional contador, mas, simplesmente em função de uma palavra: dinheiro”.

Destaca ele que “para quem se interessa por concurso público é fundamental o domínio da bíblia do contador, principalmente no que diz respeito à lei 6.604, de 15 de dezembro de 1976, que regulamenta as sociedades anônimas e à lei 10.303 editada em 2001 também, que introduziu a mais recente alteração na primeira”.

Entre outros, a contabilidade interessa diretamente a quem pretende se candidatar a cargos tais como de Auditor Fiscal da Receita Federal, Técnico da Receita Federal, Técnico de Finanças e Controle, Analista, Fiscal de Tributos e Técnico Judiciário.

CONTADOR

Já com relação à profissão de contador propriamente dita, o professor Pereira de Souza lembra que para quem quer se tornar um profissional contabilista é importante estar em sintonia com os acontecimentos do mercado econômico-financeiro.

“Não dá para ser simplesmente um profissional que apura impostos e emite guias de recolhimento de tributos. Atualmente o profissional precisa ter visão ampla de mercado, de estrutura principalmente no âmbito nacional, pois, deve primeiro ver e entender o que acontece em nosso país para depois entrar no campo internacional”.

Após a formação, muitos contadores entram num xeque mate do mercado. “Nem tudo o que viram no período acadêmico é aplicado fora da sala de aula. Nesta, aprendem o que é certo e não o que é errado. Lá fora, há aqueles que tentam dar o famoso “jeitinho brasileiro”. Para ser um bom profissional, o contador tem que respeitar os princípios da ética, ou seja, o que diz a Resolução 830/l996 do Conselho Federal de Contabilidade, que estabelece o código de ética do contabilista. Mas, além desse código, deve respeitar o cliente, atendendo às suas necessidades, não só visando remuneração e sim o seu bom desempenho, seja pessoa física ou jurídica”.

Lembra ainda o professor Anderson que, antigamente, o contador era considerado um conselheiro da família. “O dono de uma apequena empresa tinha um problema e pedia solução ao contador. Posteriormente, essa posição foi atropelada pela formação de maus profissionais no mercado, que passaram a agir de forma anti-ética, sem seguirem nenhum princípio que rege hoje o sistema contábil. Agora, o profissional precisa reconquistar, pelo trabalho, pelo desenvolvimento pessoal e intelectual, a confiança que nele era depositada anteriormente, mostrando conhecimentos e levando as empresas, que são o objeto principal da profissão, à maximização de seus resultados positivos e prestando as informações necessárias aos usuários da contabilidade. Hoje, entidades físicas e jurídicas, entidades públicas, de economia mista e autarquias dependem muito das informações do contador”.

VALORIZAÇÃO

Considera o professor Anderson Pereira de Souza que, infelizmente, ainda existem profissionais que, apesar da ação repressiva dos Conselhos Federal e Regional de Contabilidade, trabalham de forma injusta e anti-ética, prejudicando e desvalorizando a classe contabilista. “Mas, em contrapartida – diz ele – existe uma grande maioria de profissionais que se dedicam a melhorar a imagem da classe perante a sociedade, a fim de que a mesma possa evoluir”.

A profissão é gratificante e o professor Anderson diz que isso acontece, por exemplo, quando se vê concluído o ciclo de informações contábeis, em função da aplicação dos conhecimentos que se tem sobre a matéria.

MERCADO DE TRABALHO

É bom lembrar aos interessados que, conforme ressalta o professor Anderson, a profissão de contador é a que conta com maior índice empregabilidade no país.
“No mercado de trabalho não há falta de colocação para o profissional contador” – afirma ele e acrescenta: “Mas, em função de uma imagem ainda não toda restabelecida no tocante á sua confiabilidade e importância, a profissão não tem remuneração condizente. Em compensação, existem técnicas que permitem que o contador atue como “controller” dentro de uma empresa, auferindo renda vantajosa”.

 

"No mercado de trabalho não há falta de colocação para o profissional contador”.

Por outro lado, cita ele o caso das empresas sociedades anônimas, as quais, por lei, devem manter entre seus funcionários um profissional contabilista. “Mas, tem que haver bom profissional, não apenas o contador do débito e do crédito. Outra vantagem é que hoje são os contabilistas que conduzem as informações do cenário econômico. Houve tempo em que o contador ficava numa pequena sala, num canto das instalações da empresa, manipulando as máquinas de escrever e de somar. Hoje, o seu trabalho é muito mais solicitado e valorizado no mercado econômico, funcionando como peça importante na vida da sociedade como um todo. Lembremo-nos ainda que desde 1946 o contador é considerado bacharel em Ciências Contábeis, possui profissão reconhecida e regulamentada, além de Conselhos Federal e Regionais”.

O FUTURO

Além de todo o conhecimento técnico e global hoje necessário, o professor Anderson acha que para futuro o profissional contador tem grandes perspectivas de desenvolvimento sobretudo na área pública, em função do cumprimento da lei que trata da responsabilidade fiscal e também na área privada, visto que a Comissão de Valores Mobiliários pretende instaurar a obrigatoriedade da publicação de balanços de sociedades limitadas e que, consequentemente, estas terão que manter um contabilista.

Isto virá ampliar ainda mais o mercado de trabalho profissional. No entanto, lembra ele que, milhares de empresas, por todo o país, ainda não possuem um contador responsável por suas contas.

ANDERSON PEREIRA DE SOUZA

Curitibano, Anderson Pereira de Souza é formado em Ciências Contábeis pela Faculdade Católica de Administração e Economia – FAE - Bom Jesus, em 2001.

Possui especialização em Controladoria e Finanças pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em 2002. É mestrando em Controladoria e Contabilidade Estratégica, pela Fundação de Estudos Alvares Penteado/SP. Foi professor de ensino médio em cursos de Gestão Empresarial e, atualmente é professor das Faculdades Santa Cruz –INOVE de Curitiba, nos cursos de Administração, de Economia, de Contabilidade, Tecnólogo em Processamento de Dados e Bacharelado em Sistema de Informações.

É ainda professor da área de Contabilidade geral em curso preparatório de candidatos a Auditor Fiscal da Receita Federal no Curso Aprovação de Curitiba. Possui artigo sobre Plano de Carreira publicado no jornal Gazeta Merccantil/SP e atua como contador e consultor de empresas privadas também.

 

(entrevista publicada no Jornal Concuso & Carreira Edição nº70)