[14/10/05] Entrevista com Ana Paula Amorim Quaresma – Técnica e Chefe da Seção de Programação e Logística da Inspetoria da Receita Federal da Nona Região/Curitiba/PR
 
“Partindo do nome servidor público, temos que considerar que isso significa ter habilidade para servir. Isto porque, durante o tempo todo o servidor público estará servindo, ao contribuinte ou ao colega. Essa habilidade, nem todas as pessoas têm”.

Não basta ser servidor público. é preciso buscar a excelência

Por: Ari Moro

Ana Paula Amorim Quaresma, carioca, é Técnica da Receita Federal desde julho de 1999 e a partir de outubro de 2002 ocupa a função de Chefe da Seção de Programação e Logística da Inspetoria de Curitiba. É formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná.

“Uma das coisas que me levaram a fazer concurso público – diz ela, que está na capital paranaense há 8 anos – foi que, apesar da exigência de escolaridade não há exigência de especificidade, ou seja, poderia ser formada em Pedagogia ou em qualquer outra área para ocupar o cargo de Técnico ou de Auditor da Receita. O concurso de 99 foi o último que exigiu dos candidatos formação de segundo grau. Na ocasião, eu cursava Pedagogia, embora não visse campo para desenvolvimento profissional nesta área, sabia que dentro da carreira de Técnico da Receita eu poderia trabalhar em diversas áreas que não exigiriam conhecimento específico prévio adquirido em nenhuma faculdade.

Atualmente percebo que, dependendo do curso que o concursando faz numa Faculdade, o aprendizado adquirido pode beneficia-lo nas tarefas que executará dentro da Receita Federal. Por exemplo, se a pessoa tem formação em Direito, essa condição poderá pesar no momento da escolha do setor no qual ela trabalhará, como o de tributação, de arrecadação ou mesmo de fiscalização.

Ana Paula fez o concurso público para Técnico da Receita Federal no final de 1998, vendo o serviço público como meio de obter garantias tais como a estabilidade profissional que procurava. “Já em Curitiba e desempregada nessa época – prossegue – dediquei-me exclusivamente ao concurso, fazendo cursinho pela manhã, estudando à tarde e à noite, entrando pela madrugada. Reprovada na primeira tentativa para ocupar uma das 25 vagas abertas na 9ª Região Fiscal, passei a estudar com mais afinco, cerca de 10 a 12 horas por dia e seis meses depois disputei uma das 8 novas vagas disponibilizadas, obtendo aprovação”.

Ela assumiu o cargo na Inspetoria de Capanema/PR – jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Cascavel/PR – e lá atuou durante sete meses, quando foi removida a Curitiba, assumindo seu posto na Superintendência do órgão – Divisão de Programação e Logística, que dá suporte a dezessete unidades localizadas no Paraná e em Santa Catarina, assim permanecendo por três anos. Na sequência, assumiu a chefia da Seção de programação e Logística da Inspetoria, em função da experiência que adquiriu na área.

CUIDADO COM EXERCÍCIOS E PORTUGUÊS

“Minha única experiência em concurso público, antes daquele da Receita Federal – revela Ana Paula – tinha sido a do Banco do Estado do Rio de Janeiro, mas, cuja prova foi de nível bem elementar se comparada com a exigida para o cargo de Técnico da Receita Federal.

Acho que, o principal, quando a pessoa resolve fazer um concurso público, é a consciência de que terá de dar total dedicação, eleger isso como meta prioritária, colocando os demais interesses de lado naquele momento. Foi essa postura que me levou a passar no concurso, uma vez que estava recém-casada, não tinha filhos e favoreceu-me bastante o fato de não estar trabalhando, tendo muito tempo livre para estudar e rever a matéria exigida diversas vezes”.

Os exercícios ou seja, aquilo que muitos candidatos a concursos públicos não gostam de fazer, foram de valor fundamental no preparo de Ana Paula. “Eu fazia muitos exercícios – ressalta – e depois que revisava toda a matéria ainda adquiria apostilas e livros com mil ou dois mil exercícios e procurava praticá-los, o que proporcionou-me habilidade muito grande no trato com eles. O fator positivo nessa prática é que, o elaborador da prova não consegue fugir muito daquela grande quantidade de exercícios que o candidato já fez. Foi o que aconteceu comigo, quando constatei que na prova caíram exercícios similares aos que eu já havia feito em casa”.

A maior dificuldade que Ana Paula encontrou no concurso disse respeito à grande quantidade de matérias exigidas. “São muitas matérias – diz ela – e a todas o candidato tem que dar bastante importância, principalmente as específicas da área escolhida. Mas, o que me levou a obter vantagem sobre os demais candidatos no desempate do resultado da prova, foi a matéria de Português, na qual obtive meu melhor desempenho. Considero que Português ainda é a matéria na qual as pessoas têm a maior dificuldade, pois requer conhecimentos de primeiro e de segundo graus”.

TRANQUILIDADE É FUNDAMENTAL

“Algo muito importante em que o concursando tem que pensar quando estiver se preparando para o concurso é no fato de que hoje o nível intelectual dos alunos é muito mais elevado do que o de alguns anos atrás, fruto de maior preparação somada a experiência adquirida em prestar vários concursos. Ana Paula acrescenta que “em função disso a dedicação aos estudos tem que ser maior também, não podendo o candidato subestimar as dificuldades das provas e não deve se valer da sorte.

É bom destacar ainda que o que causou a reprovação no primeiro concurso que fiz foi a intranqüilidade, o nervosismo, fazendo com que errasse várias questões. Já no segundo concurso eu estava consciente de que sabia a matéria e das minhas limitações, mas, tranqüila. Realmente, exercitar a tranqüilidade é fundamental para o candidato. E pedir a Deus que honre o seu estudo e conceda essa calma no dia “D”.

E como é que se adquire essa tranqüilidade? Fazendo muitas simulações de provas, controlando o tempo gasto em cada questão. É como se a pessoa fosse a uma guerra. Ela tem que possuir treinamento, saber que tipo de dificuldade enfrentará e se preparar. Manter a tranqüilidade é um grande trunfo na hora da prova, num recinto fechado, as questões , os fiscais de sala, aquela pressão, sem poder sair e tudo o mais, fatores que levam ao nervosismo e ao bloqueio de conhecimentos que o candidato possui e dos quais não consegue se lembrar”.

ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO

Dentre outras atribuições, proceder à conferência de livros, documentos e mercadorias do sujeito passivo, inclusive mediante elaboração de relatório, relativamente aos procedimentos fiscais de: fiscalização, diligência e revisão de declarações concessão, controle e cassação de regime aduaneiro especial ou atípico controle de internação de mercadorias em áreas de livre comércio vigilância e repressão aduaneiras controle do trânsito de mercadorias vistoria e busca aduaneiras revisão de despacho aduaneiro conferência física de mercadorias e conferência final de manifesto, efetuar a seleção de passageiros e de bagagem, para fins de conferência aduaneira, realizar visita aduaneira a veículos procedentes do exterior, além de auxiliar o Auditor Fiscal nas atribuições dele privativas.

Assim, vemos que o trabalho do Técnico é de grande responsabilidade. O trabalho de um bom Técnico é reconhecido pelas chefias e pelos próprios colegas”.

 

"Quero dizer àqueles que pretendem fazer concurso público que para ser um bom profissional nessa área é preciso ter vocação para servir à população e servir bem”.

O PERFIL DO SERVIDOR

Ana Paula entende que, antes de pensarmos em traçar o perfil de um candidato a Técnico da Receita Federal, temos que pensar em qual é o perfil de um candidato a servidor público.

Justifica ela: “Partindo do nome servidor público, devemos lembrar que somos pagos pela sociedade para serví-la. Na Alemanha, por exemplo, é pré-requisito para ingressar na carreira pública ter o curso de Administração Pública, o qual ensina, entre outras coisas, a ter essa habilidade, a capacidade de servir. Concordo com isso e acho que no Brasil essa medida deveria ser adotada, principalmente para acabar com o estigma de que o servidor público é um cidadão que não quer fazer nada, que chega e sai do serviço na hora que quer, que não trata bem o contribuinte, o que não é a realidade.

Encontramos, de fato, essa falta de capacidade em servir, esse bloqueio, dificuldade da pessoa estar aberta a esse serviço, mas essa postura vem sendo derrotada com servidores conscientes do seu papel dentro da organização, papel fundamental, responsável pela imagem da Instituição junto à sociedade.

O servidor público deve servir à sociedade e ele tem que servi-la bem, com boa vontade, com disposição e desprendimento, profissio-nalismo, transparência, justiça e imparcialidade principalmente.

Antes de a pessoa decidir se quer ser servidor público, tem que estar consciente de que vai servir. Ser Técnico da Receita Federal significa ocupar um cargo apaixonante, no qual a pessoa pode desenvolver muitas atividades, desde o trabalho externo, nas fronteiras, contribuindo para combater o contrabando e descaminho quanto na área interna, aonde há uma gama de atividades interessantes a serem desenvolvidas, todas voltadas no seu cerne para o bom uso e administração da coisa pública. Ressalte-se que o Técnico não tem possibilidade de prestar concurso interno na Receita para mudar de cargo. Para tanto, terá que fazer um concurso público externo. Mas, fazendo um bom trabalho, com empenho, com dedicação, é reconhecido e pode vir a exercer uma chefia, com alguma vantagem salarial.

Cada vez mais os administradores, os gestores de recursos, Delegados, Inspetores, Superintendentes, tem buscado alcançar a meta de treinar e capacitar os servidores para atenderem a esse perfil, para que realmente trabalhem, que vistam a camisa, que sejam comprometidos com a organização”.

SERVIR BEM

“Quero dizer àqueles que pretendem fazer concurso público que para ser um bom profissional nessa área é preciso ter vocação para servir à população e servir bem” – conclui Ana Paula Amorim Quaresma, numa mensagem a futuros candidatos a concursos públicos, calcada, apesar de ser jovem, na sua própria e grande experiência profissional.

 

(entrevista publicada no Jornal Concuso & Carreira Edição nº69)