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[13/05/05] Alunos de Curso de Direito Opinam sobre Concurso Público, Estágio e Carreira Profissional (parte 2)
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"No entanto as provas dos concursos públicos deveriam ser revistas, pois, pelo menos no tocante aos concursos de nível médio, que são os que hoje almejamos, as provas de Matemática ou de Raciocínio Lógico e a prova de Informática, cobram conhecimentos muito técnicos e específicos, fora da nossa área."
Mariel Muraro
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QUALIDADE GARANTIDA
...Swellen Yano da Silva, que cursa o quinto ano da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, entende que o instituto do concurso público é válido e de extrema importância, uma vez que estabelece igualdade de condições, nivelando os candidatos.
Destaca ela que o concurso público garante a qualidade porque a pessoa que passa por essa seleção está realmente interessada e preparada para exercer o cargo pretendido. "O concurso - fala - evita que a vaga num cargo público seja ocupada por determinada pessoa, só porque ela é amiga ou parente de alguém influente."
De outra forma, a universitária entende como de extrema importância a questão da reserva de vagas para candidatos deficientes na administração pública, uma vez que estes não possuem as mesmas condições das pessoas normais. "O acesso dos deficientes às informações - aduz ela - muitas vezes é difícil em função de preconceitos, sem contar os obstáculos naturais e físicos que a própria deficiência o trouxe. Acho que esse benefício da reserva de vagas à classe dos deficientes não só é importante como deve ser mantido."
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"Além de ser importante para a vida acadêmica - prossegue - o estágio de trabalho significa uma complementação dessa formação e faz com que o aluno se aproxime e fique preparado para ingressar no mercado de trabalho. O estágio na Procuradoria está contribuindo muito para que eu adquira conhecimentos na parte de advocacia. Estou aprendendo a advogar e a saber o que é a administração pública."
CONSTRUÇÃO DE UM CAMINHO
Guilherme Mauricio Wall Fagundes, estudante do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná e pesquisador pelo PET/Direito deste estabelecimento de ensino, está fazendo, há um mês, o seu primeiro estágio de trabalho na Procuradoria.
Diz ele que, se por um lado o instituto do concurso público nos coloca diante de um nivelamento, porque aboliu as indicações políticas e até alguns dos resquícios paternalistas, tão presentes no Estado brasileiro até então, por outro, observando mais de perto agora, essa situação o faz refletir mesmo sobre o Estado Democrático de Direito."O Estado Democrático de Direito - diz ele - não só, na linha formalista, nos coloca numa igualdade formal, mas, sim do ponto de vista de que somos essencialmente diferentes e dotados de ambigüidades, em que há uma população discriminada por sua etnia, cultura e riquezas pessoais. O que precisamos refletir sobre tudo isso é que se uma igualdade formal já não nos basta acerca da lei, quem dirá num quadro que se pauta no mérito. É isto que eu quero deixar em questão, não dando uma resposta, mas, apenas um ponto a ser refletido." |
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"O concurso público nivela os candidatos, por cima ou por baixo, deixando todos num mesmo patamar, dando a todos a oportunidade de ingressar no serviço público a partir dele, bastando que cada interessado se dedique."
Osvaldo Giovani Valcanaia
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Com relação ao estágio que desenvolve na Procuradoria, Guilherme fala que o que o anima, sobretudo é, por estar tratando com um órgão público, a diferença entre a res publica e a res privada . "Os laços que nos mantém unidos são bem diferentes dos de uma eficiência de mercado. Aqui a qualidade não é pessoal, nem privada, não é individual, sobretudo. Estamos manejando a res publica , algo de todos e, por isso, traz essa substancial diferença. É isso que funciona como incentivo num estágio num serviço público.
"Meu objetivo nesse estágio é obter conhecimentos não só a nível prático, mas, aprimorar meu conhecimento teórico também. No nosso quotidiano temos acesso a advogados com experiência um tanto quanto peculiar, colocando-nos a par de interpretações e informações relativas ao direito e, sobretudo, pontos de vista sobre os quais não tivemos acesso até então em nossa formação teórica."
Outro ponto de vista destacado pelo estudante com relação ao estágio na Procuradoria foi a sua própria seleção quanto ao prosseguir sua vida, notadamente, carreira profissional. "Talvez o estágio não venha a me dar o que realmente eu procuro, mas, de qualquer forma, já é o construir de um caminho" - conclui ele.
BOA FORMAÇÃO
Maurício Guedes, estudante do quarto ano do curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná e presidente da Associação Atlética dos Acadêmicos de Direito desta instituição, cumpre estágio na Procuradoria há cerca de 5 meses e acredita que este período de trabalho seja muito importante, justificando: "Além da parte teórica que temos na faculdade, exercitamos aqui nesse estágio todo o lado prático do Direito, que é muito necessário na boa formação de um acadêmico."
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"Além de ser importante para a vida acadêmica o estágio de trabalho significa uma complementação dessa formação e faz com que o aluno se aproxime e fique preparado para ingressar no mercado de trabalho."
Swellen Yano da Silva
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Assinala Maurício que a Procuradoria é um bom lugar para desenvolvimento de estágio, pelo bom relacionamento com os colegas de trabalho, pela estrutura que oferece e principalmente pelo interesse dos advogados em ensinar e ajudar a dirimir todas as dúvidas e questões, sempre levando em consideração a capacidade de cada estagiário e procurando transmitir aos mesmos o máximo de conhecimentos possível.
"Quanto ao concurso público -fala ele - creio ser um modo válido, porém não perfeito, de avaliação e seleção dos candidatos. Mesmo muitas vezes não sendo o mais justo qualificando aqueles que realmente detêm o conhecimento e as qualidades necessárias para o desempenho da função, pelo menos se coloca como uma barreira à mera indicação de conhecidos e familiares para a ocupação dos cargos. Infelizmente, sabemos que tais fatos acabam por ocorrer mesmo com a existência dos concursos públicos, porém a principio parece-me pelo menos um meio de diminuir tais ocorrências."
Quanto ao seu futuro profissional, o universitário diz que não tem nada definido ainda, isto é, se tentará algum concurso público ou ingressará na iniciativa privada. |
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(entrevista publicada no Jornal Concuso & Carreira Edição nº98) |
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