[14/07/05] Adriana Ceccatto Barbosa, oficial judiciário do Tribunal de Justiça do Paraná
 
“Devido a minha deficiência alguns não acreditavam que eu tivesse capacidade para exercer a função. Durante 10 anos exerci a função de telefonista, passando por um processo de adaptação”.

Limite Físico: Um incentivo para
uma trajetória de sucesso

Por Sônia Zuchetto

Ela superou não só os obstáculos de um concurso público, mas os seu próprios limites físicos. Estamos falando de Adriana Ceccatto Barbosa, oficial judiciário do Tribunal de Justiça do Paraná, com formação em serviço social, estando no momento em desvio de função, aguardando a realização do concurso público para Assistente Social deste órgão. Adriana e sua irmã gêmea tem uma deficiência visual, desde o parto. Elas nasceram prematuras e foram vítimas de negligência médica,mas isto não impediu a trajetória da oficial. Ela foi alfabetizada em escola regular, com acompanhamento. Adriana prestou concurso para oficial judiciário do Tribunal de Justiça-PR, em 1990.

Ao assumir o cargo em 91, a princípio, enfrentou barreiras. “Devido a minha deficiência alguns não acreditavam que eu tivesse capacidade para exercer a função. Durante 10 anos exerci a função de telefonista, passando por um processo de adaptação”, explica. “Na época, o incentivo e apoio da chefe de departamento e dos colegas foram fundamentais. Mais tarde, Adriana foi convidada a trabalhar no serviço social do Centro de Assistência Médica e Social do Tribunal de Justiça onde obteve total apoio do diretor, chefe e colegas para conquistar seu espaço. “Em nossa caminhada encontramos pessoas que fazem toda a diferença”. Hoje Adriana atua no Serviço Social do Centro Médico do TJ, responsável, juntamente com os demais membros da equipe, pelo atendimento das licenças médicas de todo o fun-cionalismo do Poder Judiciário do Paraná, efetuando acompanhamento nas mais abrangentes e complexas situações, enca-minhamentos a recursos comunitários, e orientação diversas.

O fato de ser diferente fisicamente das outras pessoas exigiu de Adriana um esforço dobrado. “Sabemos que o preconceito ainda é grande e para nós é muito mais complicado conquistar o próprio espaço em todos os sentidos e temos que quebrar determinadas barreiras, especialmente na área profissional, isto inegavelmente gera insegurança e um certo temor,” confessa.

Preconceito

Para a funcionária, ainda existe muito preconceito em relação ao deficiente até por “ignorância” e desinformação. “O diferente sempre assusta, e isto também se aplica para a deficiência visual. Mas o importante nisto tudo é provar que temos condições de conquistar outros espaços, o importante é conhecermos e procurarmos aceitar nossas limitações superando-as na medida do possível,” explica. A colaboração irrestrita dos demais profissionais da equipe do Serviço Social, tem sido essencial para superar as dificuldades. “Temos que estar prontos para nos adaptarmos ao mundo. Cada obstáculo vencido vai contribuir para incentivar outras pessoas nas mesmas condições a prestar concursos públicos”.

Formada em Serviço Social pela PUC-PR, Adriana diz que a Faculdade contribuiu enormemente o seu crescimento pessoal e profissional sendo fundamental a colaboração do colegas de turma.

Equipamento Adequado

Devido a funcionária ser portadora de visão sub-normal, a mesma necessita de equipamentos adequados para o desenvolvimento de seu trabalho. Está sendo estudada pelo Tribunal de Justiça-PR a possibilidade da aquisição do JAWS, um sintetizador de voz utilizado pelos deficientes visuais, que fun-ciona da seguinte forma; tudo o que é digitado no teclado do computador vai sendo falado, para utilizar o equipamento é necessário um treinamento. “Poderá demorar um pouco, mas acredito que o Tribunal irá adquirir o equipamento”.

Incentivo

Para aqueles candidatos especiais que desejam concorrer aos concursos públicos Adriana tem um recado. “Nunca desistir de lutar, acreditar em seus sonhos e utilizar as barreiras encontradas no cotidiano como incentivo. Aceitar as próprias limitações e não fugir delas. Não se posicionar nem como vítima e nem como herói, mas como uma pessoa que aprendeu a conviver com sua limitação e quer ser feliz”.

 

“Nunca desistir de lutar, acreditar em seus sonhos e utilizar as barreiras encontradas no cotidiano como incentivo. Aceitar as próprias limitações e não fugir delas. Não se posicionar nem como vítima e nem como herói, mas como uma pessoa que aprendeu a conviver com sua limitação e quer ser feliz”.

 

 

(entrevista publicada no Jornal Concuso & Carreira Edição nº111)