17 /08/04
|
 |
|
Quando
até a teimosia e a raiva pesam na aprovação
num concurso
de Juiz do Trabalho
Entrevista
com Rafael Gustavo Palumbo, candidato classificado
em terceiro lugar no XVIII concurso de Juiz do
Trabalho Substituto do Tribunal Regional do Trabalho
da Nona Região/Paraná
Por Ari Moro
|
Hugo
Corrêa Martins |
“Na
verdade não sabia exatamente qual caminho seguir.
Desisti da medicina em pleno vestibular e fui reprovado
no vestibular de engenharia. Mas, fui aprovado no vestibular
de Direito e ao longo do curso cheguei a conclusão
de que esta era a minha área realmente, pois, identifiquei-me
com ela.”
Neste
dia 6 de agosto/2004 concretizou-se o sonho, acalentado
no decorrer de um ano e meio estudos preparatórios
e não pequenos sacrifícios, por parte de
um jovem curitibano: Rafael Gustavo Palumbo. Ele acaba
de ser empossado no cargo de Juiz do Trabalho Substituto
do Tribunal Regional do Trabalho da Nona Região/Paraná.
Às vésperas da sua posse no cargo, ainda
tomado pela euforia em função do anúncio,
há poucos dias, de que havia sido aprovado e classificado
em terceiro lugar em todas as fases do Décimo-Oitavo
concurso público de Juiz do Trabalho Substituto
daquele Tribunal, concorrendo com 1.100 candidatos , declarou
a este jornal: “No exercício das minhas atividades
como Juiz do Trabalho, usarei a minha experiência
de advogado e de servidor público para solucionar,
da melhor maneira possível, os conflitos que me
forem postos.”
Mas, por trás desse admirável fato que é
a coroação de um incessante trabalho na
busca de um ideal no tocante a uma carreira profissional,
existe todo um caminho de dedicação, esforço
e força de vontade, sem o que é quase impossível
a consagração de uma meta. Ainda mais porque,
no caso de Gustavo Palumbo, havia uma indecisão
sobre qual caminho seguir entre o Direito, a Medicina
e a Matemática.
DIREITO
Rafael Gustavo Palumbo nasceu em Curitiba/PR em 1976,
bacharelando-se em Direito pela Pontifícia Universidade
Católica do Paraná, em 1999. Fez especialização
em Direito Processual Civil e é mestrando em Direito
Econômico e Social pela mesma instituição
de ensino, tendo ainda cursado o último ano do
segundo grau na Escola Oak Ridge High School, estabelecimento
de ensino público do Estado da Califórnia/EUA,
em 1992/93.
Ele ingressou no curso de Direito em 1994, depois de ter
realizado vestibulares com vistas aos cursos de Medicina
e de Engenharia. “Na verdade – confessa Rafael
– eu não sabia exatamente qual caminho seguir.
Desisti da medicina em pleno vestibular e fui reprovado
no vestibular de engenharia. Mas, fui aprovado no vestibular
de Direito e ao longo do curso cheguei a conclusão
de que esta era a minha área realmente, pois, identifiquei-me
com ela.”
Quando cursava o segundo ano de Direito, Rafael fez nova
incursão, desta vez o vestibular do curso de Ciências
Contábeis na Universidade Federal do Paraná,
área de matemática e foi aprovado. Frequentou
este curso durante um ano, junto com o curso de Direito.
“Aprofundando-me no estudo do Direito – prossegue
– consolidei aquela minha decisão e vi que
este era o verdadeiro caminho, desistindo então
do curso de Ciências Contábeis.”
EXPERIÊNCIA
Uma vez formado em Direito, Rafael Gustavo Palumbo exerceu
o ofício de advogado especializado no Direito do
Trabalho ao longo de cinco anos, prestando serviços
a entidades de classe de trabalhadores e empresas privadas.
A 9 de fevereiro deste ano, atendendo a convite assumiu
a função de Assessor Assistente do Juiz
do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da Nona Região
– Márcio Gapski. No dia 19 de abril do mesmo
ano passou a exercer a função de Assessor
desse magistrado.
TEIMOSIA
Ressalte-se que Rafael Gustavo Palumbo havia tentado,
em 2002, ingressar na magistratura do trabalho, realizando
concurso do Tribunal Regional do Trabalho da Nona Região,
não tendo sido aprovado, mas, não desistiu
do seu propósito.
“Fui reprovado na questão referente à
elaboração de sentença” –
revela ele, acrescentando: “Após esse fato,
permaneci um ano e meio sem estudar para concurso público,
quando decidi retomar a minha preparação
para o próximo evento. A questão foi que
as dificuldades eram grandes, uma vez que, além
de estar recém-casado, ao mesmo tempo fazia mestrado,
exercia a profissão de advogado e dava aulas de
Processo do Trabalho em curso da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná.”
A fim de superar todas essas dificuldades, Rafael estabeleceu
método de estudo compatível com a situação.
Dizendo que sempre foi estudante do tipo “coruja”,
estudava durante o período noturno, das 20h00/21h00
às 00h00/01h00. “Eu pegava o programa de
matérias do concurso e ia eliminando ponto por
ponto, priorizando, estrategicamente, seis matérias
que eram Direito do Trabalho, Processo do Trabalho, Direito
Constitucional, Direito Administrativo, Direito Civil
e Direito Processual Civil. Isto porque, entendi que no
meu caso esta era a parte mais importante.”
Reforço importante no preparo desse candidato a
Juiz do Trabalho agora empossado no cargo foi os dois
cursos específicos que fez na Escola da Associação
dos Magistrados do Trabalho do Paraná – EMATRA.
“No meu tempo de preparo para o concurso –
completa – lançei mão de toda a minha
capacidade de trabalho e estudo, até com certa
dose de raiva e de teimosia, buscando a minha aprovação.
|
“Fiz
as provas dentro das minhas possibilidades não
me importando com as questões nas quais não
tinha chance.”
|
|
 |
PERSEVERANÇA
Uma certa insegurança tomou conta de Rafael Gustavo
Palumbo na hora da realização da prova, que
considerou difícil.
Em vista disso, ficou satisfeito ao tomar conhecimento do
resultado, dando-lhe aprovação e classificação
em terceiro lugar entre mais de mil candidatos às
três vagas imediatas e outras que surgirão
ao longo do tempo de duração do concurso,
que é de dois anos.
“Um candidato a Juiz do Trabalho – diz ele –
tem que ter perseverança no seu propósito,
muita força de vontade e não desanimar frente
a um possível fracasso inicial. Algo que considero
importante, durante o seu período preparatório,
é a prática da elaboração de
sentença, ainda mais porque esta questão é
eliminatória no concurso. Por outro lado, o estudo
deve ser contínuo.”
Fato curioso, é que Rafael não emagreceu,
mas, pelo contrário, engordou 14 quilos durante o
seu ano e meio de estudo para o décimo-oitavo concurso
público de Juiz do Trabalho Substituto do TRT/Nona
Região. “Fiz as provas dentro das minhas possibilidades
– finaliza – não me importando com as
questões nas quais não tinha chance.”
|