Entrevista com o Delegado da Polícia da Superint. do Dept. da PF no Paraná e Diretor Regional da Associação Nacional dos Delegados da PF – Hugo Corrêa Martins

13 /08/04
 
Concurso de delegado
de polícia federal é
99% transpiração e
1% inspiração



Entrevista com o Delegado de Polícia da Superintendência do Departamento de Polícia Federal no Paraná e Diretor Regional da
Associação Nacional dos Delegados de
Polícia Federal – Hugo Corrêa Martins

Por Ari Moro

“O Delegado de Polícia tem que exercer suas atividades, no combate à criminalidade, de forma tal que venha a corresponder plenamente aos anseios e a confiança que a sociedade nele deposita.

Hugo Corrêa Martins
Tem que ter muita sensibilidade no trato com os cidadãos, prestando o mesmo atendimento e dando a mesma importância, por exemplo, tanto aquela pessoa que o procura porque roubaram-lhe a bicicleta a qual, para ela tinha grande valor, quanto a outra que faz o mesmo tendo como motivo o roubo do seu automóvel da marca Ferrari. Ambos devem receber, da autoridade policial, tratamento e empenho iguais, independentemente de qualquer coisa.”


“É preciso dedicação exclusiva. Os pretendentes devem se
esquecer de qualquer outra coisa que eventualmente desejem,
caso contrário, não obterão sucesso, uma vez que o concurso é
extremamente difícil. Posso dizer que o concurso é 99% transpiração
e 1% inspiração. Portanto, é preciso estudar mesmo.”



“O Delegado de Polícia tem que exercer suas atividades, no combate à criminalidade, de forma tal que venha a corresponder plenamente aos anseios e a confiança que a sociedade nele deposita. Tem que ter muita sensibilidade no trato com os cidadãos, prestando o mesmo atendimento e dando a mesma importância, por exemplo, tanto aquela pessoa que o procura porque roubaram-lhe a bicicleta a qual, para ela tinha grande valor, quanto a outra que faz o mesmo tendo como motivo o roubo do seu automóvel da marca Ferrari. Ambos devem receber, da autoridade policial, tratamento e empenho iguais, independentemente de qualquer coisa.”

Essa a declaração do Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado, da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Paraná e Diretor Regional no Paraná da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal – Hugo Corrêa Martins – que para chegar no cargo que ocupa esforçou-se muito e estudou das 3:00 às 7:00 horas da manhã, indo dormir entre as 20:00 e 21:00 horas, num horário um tanto incomum para tal propósito, porque, segundo ele, trabalhava durante o dia e teve que mudar seus hábitos no período noturno, a fim de ter um tempo disponível que lhe proporcionasse bom rendimento no preparo com vistas ao concurso público que fez.

“Ser Delegado de Polícia não é uma simples profissão, mas, sim um estilo de vida que a pessoa deve seguir” – acrescenta.


CONCURSO


Hugo Corrêa Martins considera o concurso público a forma mais legítima de uma pessoa ingressar no serviço público. “O concurso – diz ele – afere a capacidade e a competência do candidato a um cargo público.”

Em vista do próximo concurso público da Polícia Federal, visando a admissão de pessoal nos cargos de Delegado, Escrivão, Agente e Perito, num total de cerca de 3.700 servidores, Corrêa Martins considera que isso significará grande avanço no que toca à disponibilidade de recursos humanos por parte da instituição, uma vez que, há carência nesse setor e atualmente o efetivo, em todo o país, é de cerca de 7.000 homens.

“Há vinte anos – revela o Delegado – já se estimava que o ideal para a Polícia Federal, na época, era ter efetivo de 20.000 homens. Portanto, esse reforço de recursos humanos que agora ingressará no órgão será benvindo e proporcionará a prestação de serviço de melhor qualidade a população.”


MELHOR DO MUNDO


As organizações policiais brasileiras, de forma geral, recebem muitas críticas da população, esta alegando que aquelas estão desaparelhadas e sem o efetivo necessário ao atendimento das necessidades.
No entanto, Hugo Corrêa Martins faz questão de lembrar que a Polícia Federal brasileira é considerada e respeitada internacionalmente como uma das melhores instituições policiais do mundo. “No último final de semana, por exemplo – acrescenta – a Polícia Federal apreendeu em Foz do Iguaçu, no Paraná, 1.300 quilos de maconha que eram transportados ao país.”

A Polícia Federal – ressalta o Delegado – é muito atuante e combativa. “Não há como uma pessoa acomodada pensar que a Polícia Federal é o lugar ideal para trabalhar. Aqui exige-se dedicação diuturna por parte dos ocupantes de todos os cargos, seja Delegado, Perito, Papiloscopista, Escrivão ou Agente. O candidato a ocupar um desses cargos tem que ter iniciativa e disposição para o trabalho policial. No caso do cargo de Delegado, o candidato tem que ter bons conhecimentos jurídicos – Direito Penal e Direito Processual Penal sobretudo - e vocação para a área de investigação, que é a sua atribuição principal.”


ATRIBUIÇÕES


Todos os ocupantes dos cargos integrantes do organograma do Departamento de Polícia Federal – Delegado, Perito, Escrivão, Papiloscopista e Agente – são policiais.

O que distingue o Delegado dos demais servidores – explica Hugo Corrêa Martins – é que ele é responsável pela coordenação de um grupo de profissionais desde o escrivão até o papiloscopista. Cada um dos profissionais tem as suas funções definidas dentro do grupo e ao Delegado cabe preservar o trabalho em equipe.

O Delegado coordena a estrutura de investigação integrada pelo grupo e preside os inquéritos policiais. “Nessa crise de autoridade em que vivemos na sociedade brasileira – fala Corrêa Martins – numa situação em que os pais, os professores, os religiosos, entre outros, não têm mais a sua voz respeitada, o que é muito lamentável, sem dúvida alguma resta ao Delegado de Polícia essa importante tarefa qual seja a de impor respeito e fazer cumprir a lei e a ordem. O Delegado é aquela figura que está sempre na linha de frente, em contato direto com a população, sendo sua presença solicitada para todas as situações, sobretudo nas regiões interioranas.


CARREIRA


A carreira de Delegado do Departamento de Polícia Federal inicia na categoria Segunda Classe. Depois de cinco anos de serviços, o ocupante do cargo passa à categoria de Primeira Classe e mais cinco anos depois ingressa na Classe Especial, que é o topo.

Nesse ínterim o Delegado pode somente exercer este cargo, chefiar uma Delegacia de Polícia ou ainda ocupar funções tais como as de Delegado Regional, de Corregedor ou de Superintendente Regional. O progresso na carreira é feito mediante avaliação de desempenho e a medida que vai subindo de categoria o Delegado tem compensações salariais.

A aposentadoria vem aos 30 anos de serviço, sendo que, pelo menos 20 dos quais prestados à Polícia Federal.

“A carreira – diz Hugo Corrêa Martins – é árdua e compensadora ao mesmo tempo. Todo ato criminoso envolve pessoas e tem repercussão no meio da sociedade. Quando solucionamos um crime e efetuamos a prisão das pessoas envolvidas, podemos aquilatar então o bem que proporcionamos à sociedade. Portanto, sinto-me satisfeito e realizado profissionalmente quando consigo solucionar um crime de qualquer natureza e vejo que prestei, juntamente com minha equipe, um trabalho relevante à sociedade, tirando do convívio social os criminosos envolvidos.”


PRÓXIMO CONCURSO


Discorrendo sobre o próximo concurso público da Polícia Federal, sobretudo no tocante ao cargo de Delegado, Hugo Corrêa Martins diz que os candidatos devem voltar as suas vidas, nesse momento, para a meta visada.

“É preciso dedicação exclusiva. Os pretendentes devem se esquecer de qualquer outra coisa que eventualmente desejem, pois, caso contrário, não obterão sucesso, uma vez que o concurso é extremamente difícil. Posso dizer que o concurso é 99% transpiração e 1% inspiração. Portanto, é preciso estudar mesmo.”

Por outro lado, enfatiza ele que, os interessados não podem neglicenciar a parte física, pois, o teste de aptidão é rigoroso e pode reprovar os mal preparados fisicamente.

“Quanto ao estudo, aconselho que seja feito ao longo de 1 hora, por 20 minutos de descanso, não ultrapassando 6 horas diárias. Frequentar um curso preparatório auxilia bastante. Dormir e alimentar-se bem é outra providência necessária. Recomendo que os candidatos não estudem durante as 24 horas que antecedem as provas, a fim de dar descanso à mente. Isso tudo faz parte de um investimento que não tem preço, pois, é para sempre.


“Ser Delegado de Polícia não é uma
simples profissão, mas sim um estilo
de vida que a pessoa deve seguir”


 

HUGO CORRÊA MARTINS

Hugo Corrêa Martins é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em 1989, especializando-se em Ciências Penais pela Universidade Federal do Paraná, em 1990 – Pós Graduação. É ainda autor de duas monografias sob os títulos “Habeas Corpus para Pós-Graduação” e “Direitos e garantias Constitucionais”.

Realizou concurso público de Agente Policial do Departamento de Polícia Federal em 1980, quando o cargo ainda exigia nível escolar médio. Tomou posse no cargo em junho de 1981, na cidade de Paranaguá/PR, ali permanecendo até 1983.

Em 1994 realizou novo concurso da Polícia Federal, desta vez de Delegado, sendo aprovado e classificado, tomando posse no cargo na cidade de São Luiz/Maranhão, em 15 de outubro de 1996, ali ficando até 1998, período em que chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Em 1998 foi removido a Curitiba/PR, onde ocupa, desde 2003, a função de Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado. Ainda em março deste ano foi eleito Diretor Regional da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal.