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Entrevista Especial
[05/06/07] Polícia Rodoviária Federal: próximo concurso nacional poderá ser regionalizado

Polícia Rodoviária Federal: próximo concurso nacional poderá ser regionalizado

 

Superintendente da PRF no Paraná fala sobre a carreira de policial e planos de expansão da corporação.

 
 
O próximo concurso da Polícia Rodoviária Federal – PRF para o cargo de policial rodoviário poderá ser autorizado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão- MPOG a qualquer momento. A seleção será em nível nacional, com a oferta inicial de 340 vagas distribuídas pelos Estados de Mato Grosso e Pará, para atuar na rodovia BR-163, que liga Cuiabá a Santarém. O candidato que não morar em um destes dois Estados poderá fazer a prova em qualquer cidade brasileira. 

  Em 2008, o órgão quer realizar seu primeiro concurso para a área administrativa, com 1.500 vagas distribuídas por vários cargos de níveis médio e superior, com o objetivo de substituir funcionários terceirizados. O projeto tramita no Congresso Nacional.

Os benefícios do cargo

       O cargo de policial rodoviário oferece, além da estabilidade, um salário inicial de R$ 5.084,00, exigindo do candidato, por enquanto, somente o nível médio; os policiais também recebem auxílio-transporte, auxílio-alimentação de aproximadamente R$ 18,00 por plantão e benefícios, como gratificação por desgaste físico e mental, atividade de risco, operações especiais, auxílio-natalidade e pré-escolar, assistência à saúde, licença prêmio por assiduidade, afastamento para casamento, adicional por tempo de serviço, além de outros.                      

Aumento do efetivo

       O efetivo da Polícia Rodoviária está em torno de 10 mil servidores, mas a PRF pretende aumentar este número para 20 mil. No Paraná a PRF conta com cerca de 630 servidores, mas para atender a demanda estadual o órgão precisaria, no mínimo, de mil novos contratados para atender a demanda do Estado.

 

Superintendência no Paraná    

     O Jornal Concurso & Carreira conversou com a superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Paraná, Maria Alice Nascimento Souza (foto). Maria Alice é a primeira mulher superintendente da PRF e foi uma das pioneiras a entrar para a corporação, vencendo os desafios, preconceitos, e conquistando cargos, até então, só ocupados por homens. Confira aqui a entrevista.            

 
C&C – Com você começou na Polícia Rodoviária Federal ?

Maria Alice – “Em 1982 eu fiz o primeiro concurso público da PRF, admitindo mulheres no Brasil. Éramos cinco mulheres apenas, mas só conseguimos ser efetivadas dois anos após o concurso, trabalhando internamente. Mas eu queria exercer a minha função, de policial na estrada e, algum tempo depois, fiz um curso para motociclista. Mesmo com os obstáculos e os preconceitos da época, consegui concluir o curso e ser a primeira mulher motociclista da PRF no Brasil.”

 

C&C – Como foi a experiência efetiva de policial na estrada?

Maria Alice – “Trabalhei como motociclista por uns dois anos, casei e fui trabalhar em diversas regionais da PRF pelo Brasil. Em 1994, através de um projeto de lei, foram abertas cerca de, 4.800 vagas para a PRF, visto que  estávamos entrando quase em extinção, pois éramos poucos em todo o Brasil.

Minha missão era ficar o período integral no Congresso Nacional para acompanhar o Projeto de Lei na Câmara e no Senado, fazendo com que o projeto andasse em todas as comissões e fosse para o Senado e sanção presidencial, dentro de um período de nove meses. Finalmente foi aberto concurso público com oportunidades para as turmas de 1994 e 1995 e, o mais importante, conseguimos preencher continuamente estas vagas e selecionar sempre mais pessoas.”    

C&C – Quantos servidores têm atualmente o efetivo da Polícia Rodoviária Federal ?

Maria Alice – “Atualmente temos aproximadamente 10 mil servidores em todo o país, mas este número não é o suficiente. Hoje nós precisaríamos, no mínimo, de o dobro deste efetivo para atender a toda demanda da PRF, pois além de trabalhar com o trânsito nas estradas, também atendemos às apreensões e diversas situações que surgem nas rodovias federais que exigem um maior quantitativo de policiais.”

C&C – Qual a defasagem de pessoal aqui no Paraná ?

Maria Alice – “Os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, por serem estados de fronteira, são as regiões que (além do trânsito de rodovias), mais trabalham na área de repressão na fiscalização de contrabando e narcotráfico. Conseqüentemente precisamos de mais pessoas, pois nossas atribuições hoje são maiores, mas quem faz esta distribuição é o departamento nacional da PRF. Nosso efetivo operacional e administrativo aqui no Paraná está em torno de 630 servidores. Para atender à demanda estadual precisaríamos, no mínimo, de mil servidores.”          

C&C – Como a Polícia Rodoviária está equipada para dar atendimento à população ?

Maria Alice – “Hoje a PRF já evoluiu muito nesta área. No Paraná estamos criando uma base de operações aéreas para atender não só a parte de patrulhamento aéreo, mas também a resgate de vítimas de acidente de trânsito, aperfeiçoando o atendimento às vítimas de acidente de trânsito. Então podemos observar um avanço muito grande no trabalho da PRF. Hoje temos helicópteros, com operadores de resgate aéreo, inclusive com a primeira mulher piloto de helicóptero na PR, comandante de aeronave de resgate.”

C&C – Qual é a rotina de um policial rodoviário ?

Maria Alice – “O trabalho de um policial rodoviário é um pouco estressante, pois a todo o momento ele lida com contrabando, armamento ou carro roubado, o tempo todo fiscalizando, gerando é claro um pouco de stress. Mas o policial trabalha em regime de escala,ou seja, trabalha 24 horas e folga 72 horas, então ele consegue se desligar. Já para os servidores administrativos fica mais difícil se desligar, especialmente aqui na superintendência. O horário normal é de oito horas diárias, mas na superintendência estamos aqui todos os dias e às vezes até atendendo convites de finais de semana para representar a PRF,além da grande responsabilidade que o cargo exige.”

C&C – Ser policial é uma carreira gratificante?

Maria Alice – “Ser policial é acima de tudo ser servidor público, colocando o seu trabalho em benefício da sociedade. Estamos preparando nossos policiais para que o atendimento às vítimas de trânsito nas estradas seja o mais eficiente possível. Temos um projeto aqui dentro da PRF que se chama atendimento de múltiplas vidas. São acidentescom diversas vítimas acionando não só a PRF, mas também o corpo de bombeiros, siate, defesa civil, gerando um envolvimento muito grande das instituições. O objetivo deste treinamento é tornar o nosso policial cada vez mais eficiente nestes treinamentos, em total sintonia com estas instituições. Vamos ter também aqui no Paraná uma aeronave para atendimento a estas vítimas.”                                          

C&C – A Policia Rodoviária Federal dá algum tipo de preparo psicológico para o policial atender a esta população ?

Maria Alice – “A gente prepara este policial, neste aspecto no curso de formação. Estamos também fundando um projeto que se chama Procerv-  “Servidor Saudável Qualidade de Vida”, um acompanhamento psicológico psico-social, para que o policial saiba lidar com estas situações de acidentes. Este trabalho não é apenas de um policial, mas também uma maneira de servir ao próximo em momentos tão difíceis. Este também é o papel do policial seja no momento de atender a um acidente ou no momento de prender um bandido. É o papel do servidor público federal, o de servir a sociedade.”

C&C – Existe um limite máximo de idade para fazer o concurso da PRF ?

Maria Alice – “Não existe limite máximo de idade para fazer o concurso, mas uma das provas eliminatórias são os testes físicos e aí nós não sabemos se este candidato ou candidata vai agüentar, porque ele vai precisar de um bom preparo físico.”   

C&C – Este concurso da PRF para o Pará e Mato Grosso será o último para o nível médio ?

Maria Alice – “Estamos brigando por esta questão para que realmente aconteça, porque precisamos nivelar o nosso policial, pois o salário, de R$ 5.084,00, que ele ganha é de nível superior, não é de nível médio. Temos que estar enquadrados no nível superior, este é um anseio de todos que estão dentro da PRF. Não sabemos ainda se este concurso vai ser o último de nível médio.” 

C&C – Quais as principais reivindicações da Polícia Rodoviária Federal no momento ?

Maria Alice – “A PRF está tentando regionalizar os concursos, em cada estado fazendo a sua própria seleção. Este critério poderá ser adotado no próximo concurso nacional.” 

C&C – Qual as possibilidades de ascensão profissional dentro da Polícia Rodoviária Federal ?

Maria Alice – “Inicialmente o policial rodoviário trabalha na estrada, no mínimo, dois anos, em estágio probatório atingindo em seguida a estabilidade e ao longo de sua carreira este servidor terá vários cursos de capacitação que poderá lhe dar ascensão para outras funções.”    

C&C – Qual a mensagem que você deixaria para este pessoal que está se preparando para o concurso da PRF para os estados do Pará e Mato Grosso ?

Maria Alice – “Primeiro que estude bastante, porque a concorrência é muito grande. Não leve só a questão salarial e estabilidade como objetivo principal e veja se você tem um perfil para ser um policial, ter em mente que você é um servidor público e que o seu trabalho deve estar voltado para a sociedade. Veja se realmente é isto que você quer e vá em frente.”

   

Por: Sonia Zuchetto