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Compreensão e Produção de Texto
Aline Reneé Benigno dos Santos (PR)

28/12/04 - O texto e o contexto

O texto e o contexto
Por Aline Renée B. dos Santos
 
“O texto é uma máquina preguiçosa, que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram, por assim dizer, em branco.”
(Eco, U.)
 
            Um texto é manifestação lingüística produzida por alguém, em alguma situação concreta (contexto), com determinada intenção.
            Imaginemos a seguinte situação: você está passando pela rua e, diante de um edifício, vê alguém que sai correndo e grita: FOGO!. Nessa circunstância, a palavra fogo adquire um significado mais abrangente para você do que a mera referência a um processo de combustão. Sua interpretação será a de que há algo se incendiando naquele edifício e a pessoa que dele saiu correndo tenta, ao gritar, alertar outras pessoas e, se possível, conseguir ajuda. A pessoa está, com seu grito, realizando uma manifestação lingüística; a situação concreta é o edifício que pega fogo e a intenção é a de avisar outras pessoas do perigo e conseguir socorro. Logo, nessa situação específica, “Fogo!” pode ser tomado como um texto. O que dá sentido a um texto é, portanto, a combinação destes fatores: o lingüístico, o contextual e o intencional.
            Devemos, ainda, considerar outro importante aspecto ao falarmos sobre texto. Ele é sempre dirigido a alguém, ou seja, a situação de produção de um texto supõe a existência de um interlocutor a quem ele se dirige. Isso também é evidenciado no exemplo que dei. A pessoa que grita espera ser ouvida e compreendida por outras pessoas.
            São estabelecidos diferentes tipos de interlocução no momento de produção do texto, e se pode mesmo dizer que o sentido dos textos é construído na interação entre o seu autor e o interlocutor a quem se destina.
            O interlocutor de um texto é o leitor a quem ele se dirige preferencialmente ou, em outras palavras, é o leitor em quem pensa o autor no momento da produção de um texto. Há, para cada texto, não só um contexto, mas também um interlocutor preferencial.
            Para se compreender melhor o fenômeno da produção de textos escritos, importa entender previamente o que caracteriza o texto, escrito ou oral, unidade lingüística básica, já que o que as pessoas têm para dizer umas às outras não são palavras nem frases isoladas, são textos. Pode-se definir texto ou discurso como ocorrência lingüística falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal.
            Um texto é uma unidade de linguagem em uso, cumprindo uma função identificável num dado jogo de atuação sociocomunicativa. Tem papel determinante em sua produção e recepção uma série de fatores de ordem prática, os quais contribuem para a construção de seu sentido e possibilitam que seja reconhecido como um emprego normal da língua. São elementos desse processo as peculiaridades de cada ato comunicativo, tais como: as intenções do produtor; o jogo de imagens mentais que cada um dos interlocutores faz de si, do outro e do outro com relação a si mesmo e ao tema do discurso; e o espaço de perceber, visual e acusticamente, na comunicação face a face. Desse modo, o que é pertinente numa situação pode não o ser em outra.
            O contexto sociocultural em que se estabelece o discurso também constitui elemento condicionante de seu sentido, na produção e na recepção, na medida em que delimita os conhecimentos partilhados pelos interlocutores, inclusive quanto às regras sociais da interação comunicativa.
            A segunda propriedade básica do texto é o fator dele constituir uma unidade semântica. Uma ocorrência lingüística, para ser texto, precisa ser percebida pelo leitor como um todo significativo. A coerência é o fator responsável pelo sentido do texto.
Finalmente, o texto se caracteriza por sua unidade formal, material. Seus constituintes lingüísticos devem se mostrar reconhecivelmente integrados, de modo a permitir que ele seja percebido como um todo coeso.
            De acordo com essas abordagens, um texto será bem compreendido quando apresentar os seguintes aspectos: funcionamento enquanto atuação informacional e comunicativa; coerência; e coesão. Estas são especificações para uma boa textualidade, que é o conjunto de características que fazem com que um texto seja texto.
            Por isso pessoal, ao escrever, preocupe-se com a intencionalidade, a aceitabilidade, a situcionalidade, a informatividade e a intertextualidade de seu texto.
Até a próxima pessoal!!!
 
 

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